'Tensão é fruto da falta de humanização nos presídios'
O psicólogo pós-graduado em Segurança Pública Jair Queiroz avalia o protesto dos familiares dos presos como óbvio e lícito. Segundo ele, os exageros deverão ser avaliados pela Justiça, mas, aponta, as mulheres são regidas por uma lei interna de desespero em busca de informações, da mesma forma que os apenados são afligidos por uma luta interna que se resume a sair da prisão a qualquer custo.
Para Queiroz, o tratamento digno e respeitoso é fundamental para amenizar os conflitos. "Os presídios recebem pessoas adoecidas, marginalizadas por relações de culpa, frustrações, incapacidade. Onde deveria haver ressocialização, há luta contra doenças, maus-tratos, estupros. Eles saem de lá mais marginais e menos humanizados", expõe.
Segundo ele, a família que grita, ateia fogo, é a mesma que, ainda que involuntariamente, foi coparticipante no processo de marginalização do preso. "É um processo que começa muito cedo, com o adoecimento das relações familiares. A vivência de fracassos se projeta para os filhos. No caso das mulheres, há uma relação de codependência, muitas vezes existe vínculo financeiro. Os maridos, embora presos, continuam como mantenedores da casa por meio de benefícios ou fatores externos".
O psicólogo, que atuou junto a dependentes em comunidades terapêuticas, defende a humanização dos presídios com estrutura adequada, profissionais qualificados, atenção à saúde, cultura, lazer, religiosidade. "Todo cidadão na sua essência é humano com potencial de auto atualização. O que precisa haver são condições de humanização". (C.F.)





