Tensão durante sepultamento
Na Capela Mortuária da cidade onde foram velados Jocemar Marques Soares, o ''Polaco'' e seus dois filhos, Fernanda Soares, 20 e Mizael Soares, 17, ninguém quis comentar o crime. Já na Vila dos Pescadores, periferia de Guaíra, onde foram velados outras cinco vítimas, o clima era de tensão e revolta. A irmã de Fernando Augusto Vieira, o ''Nenê'', Simone Vieira Bradfich, lamentava a morte do irmão e disse se sentir injustiçada pela forma como foi noticiada a morte se seu irmão. ''Não era todo mundo ali que tinha envolvimento com drogas. Meu irmão já foi preso sim, mas foi lá em São Paulo e ele já tinha até cumprido a pena. Ele tinha vindo pra cá só para assinar uns papéis no Fórum e ia voltar para Curitiba onde ele já estava morando. A gente sabe que ele estava ''puxando cigarro'' do Paraguai, mas isso é comum aqui. Ele morreu de graça e não tinha nada a ver com esse rolo'', desabafou.
Um dos sobreviventes da chacina também estava no velório. Receoso em contar como conseguiu escapar, disse que precisou ''fingir de morto'' para se manter vivo. Disse que foi ''jogado'' dentro do galpão junto com as vítimas que foram executadas, mas o tiro não chegou a atingi-lo. Ele passou sangue de uma das vítimas no rosto e permaneceu no local fingindo estar morto por mais de duas horas até a chegada da polícia. O jovem, que preferiu não contar mais detalhes do caso, disse estar com medo de continuar na cidade.(F.B.)





