Buenos Aires, 06 (AE-DOW JONES) - A chancelaria argentina ordenou o retorno imediato de seu embaixador no Paraguai, José Berro Madero. O motivo é a crise diplomática surgida nos últimos dias pelas recusa argentina em extraditar o ex-general golpista Lino César Oviedo. O militar está desde o 29 de março na Argentina, onde pediu asilo político.
O governo do Uruguai também recusou o pedido que o governo do Paraguai fez pela extradição de um colega de Oviedo, o ex-ministro da Defesa paraguaio José Segovia Boltes, asilado nesse país desde março.
Oviedo e Boltes são acusados de participação no assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, no 23 de março deste ano.
A crise causada por Oviedo provocou na sexta-feira passada a demissão do chanceler paraguaio, Miguel Abdón Saguier, por ordem do presidente desse país, Luis González Macchi. Pouco depois, Macchi convocou a Assunção suas embaixadoras em Buenos Aires e Montevidéu, como sinal de desgosto pelas atitudes da Argentina e Uruguai.
González Macchi afirmou que a recusa argentina "contribui à impunidade" de Oviedo. O governo argentino sustenta que apesar desses gestos agressivos, as relações com o Paraguai não serão cortadas.
O ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, declarou que Oviedo não será extraditado, e recordou que seu país "é um tradicional lugar de asilo político". Segundo Corach, a Argentina recebeu políticos paraguaios de todas as facções desde 1903, e também os exilados chilenos que fugiram da ditadura do general Augusto Pinochet. "Gostássemos ou não deles, concordássemos ou não com suas ideologias, os recebemos".
O chanceler argentino Guido Di Tella afirmou que seu país contribuiu para a democracia no Paraguai ausentando Oviedo desse país. Sobre o futuro da relação bilateral com o Paraguai, Di Tella somente disse: "Esse futuro é incerto e imprevisível."

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