Paris, 29 (AE) - A final feminina de Melbourne passou a ter um outro sabor depois que a número 1 mundial, a suíça Martina Hingins, foi infeliz nas suas declaraçäes ao afirmar que havia jogado contra um homem, tendo em vista a recente confissão de homosexualidade de sua adversária, a francesa Amelie Mauresmo, 29ª no ranking mundial. Ela havia decidido assumir sua homosexualidade anunciando recentemente sua vida comum com sua amiga Sylvie Bordon. Hoje, Martina Hingins tentou corrigir suas declaraçäes anteriores dizendo que foi mal interpretada, pois quis apenas afirmar que ela jogava como um homem em razão de sua musculatura masculina: "Eu não disse que joguei contra um homem, mas que sua maneira de jogar parece a de um homem".
O escândalo fez com que a tenista francesa fosse obrigada a treinar fora do estádio para fugir ao assédio dos "paparazzi", não perdoando sua adversária: "É injusto. Depois de tudo que fiz para chegar nesse nível, ninguém fala do meu jogo, mas de minha vida privada". Visivelmente decepcionada, Amélie Mauresmo disse que além de lutar por um bom resultado passou também a ter ódio por ter recebido esse golpe baixo. "Eu sei que incomodo", disse Amélie que reconhece que essa foi uma tentativa sem sucesso de desastabilizá- la, mas a tenista de 19 anos, está disposta a mostrar na quadra suas qualidades técnicas e físicas.
Nas horas que antecederam a partida Amélie disse ter recebido muita solidariedade feminina: " Amigas telefonaram para dizer que havia sido corajosa em assumir minha homosexualidade. Mesmo as integrantes de uma equipe feminina de futebol da Austrália se solidarizaram, lembrando que eu havia sido honesta. Essas manifestaçäes me fizeram bem". Amélie Mauresmo não esconde sua gana de derrotar a número um mundial em Melbourne ao afirmar: " Vou acabar com ela...". Sua treinadora, Isabelle Demongeot, defendeu hoje a tenista francesa, lembrando que o físico de Amélie, aliada a sua técnica, fizeram dessa tenista uma das mais completas do circuito. Essa não é a primeira grande tenista do circuito a assumir sua sexualidade, sendo que a ex-numero um, Martina Navratilova, checa nacionalizada norte americana, também nunca escondeu essa condição.

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