''Tenho pavor é da realidade''
''O ser humano é muito interessado na violência. Comigo não foi diferente, mas eu só sentia medo quando era criança!''. Apesar de falar em tom de brincadeira sobre o que considera um hobby, o contabilista Alisson Andrello Couto, de 28 anos, não esconde que a coleção de vídeos e DVDs de horror que ele possui é um negócio sério: ao longo de sete anos, já são mais de 700 títulos, entre clássicos e raridades.
''Comecei a me interessar pelo gênero na década de 80, assistindo a filmes que passavam de madrugada'', lembra. Os que mais lhe agradavam eram os chamados ''slasher movies'', de assassinatos em série, ao estilo da consagrada sequência '' Sexta-feira 13''. Hoje, Couto diz que prefere as películas italianas antigas especialmente se a temática for o canibalismo. ''A Itália é o grande berço dos filmes transgressores de horror, e muitos deles foram rodados no Brasil. Um deles ('Cannibal Holocaust', de Ruggeri Deodato's, 1979), chegou a gerar revolta em espectadores que pensaram que era tudo de verdade, de tão realistas que eram as cenas'', fala.
Alisson aponta o longa de terror francês ''Irreversible'' (em português, ''Irreversível'', 2002), do diretor argentino Gaspar Noe, como o mais marcante. ''Além de uma cena de estupro que durou quase oito minutos, em outra o algoz da vítima era espancado até a morte com golpes de extintor de incêndio na cabeça, realíssima''. E é possível ficar indiferente mesmo a imagens como essas? ''Vou ser crucificado por isso, mas digo que achei a cena belíssima. Bem filmada, bem dirigida, como em uma peça teatral bem feita, só isso'', define.
O gosto pouco convencional, refletido também no estilo 'underground' das músicas e revistas que coleciona, têm outro custo além do preço das fitas e DVDs importados: ''Quando descobrem que eu gosto de terror, muitas pessoas me dizem 'puxa, achava que você um cara certinho!'. Mas isso não me torna menos sociável, a sociedade é que é preconceituosa'', critica. Depois de ver tantos filmes de canibais, psicopatas, situações e lugares macabros, Alisson confessa que o medo dele é outro: ''Do futuro. Tenho muito medo da rotina, da corrupção e da miséria. Mas medo grande eu tenho, mesmo, é de ficar doente algum dia e depender do governo para me ajudar. Enfim, o pavor da realidade''.J.G.





