Tenente diz que não há espaço para todos os acusados
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 24 (AE) - Os 26 suspeitos de narcotráfico e assassinato que vieram hoje do Acre para Brasília não deverão ter como vizinho de cela o suposto comandante do grupo, o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC). Hoje, o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, tenente-coronel Mário Vieira, afirmou que não há espaço para a acomodação dos outros acusados. "Além da cela onde está o ex-deputado, só se sairmos das nossas salas", afirmou.
De acordo com Vieira, a alternativa para o alojamento do grupo seria de separá-lo entre uma sala no 3º Batalhão da Polícia Militar (BPM), duas salas da Prisão Estadual Papuda e uma da PM em Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal. Segundo ele, haveria ainda outro problema, uma vez que 11 dos 26 detentos têm alta patente militar, dispondo de prerrogativas que incluem reclusão em celas individuais.
Pascoal, que teve o mandato cassado na quarta-feira (22) e foi preso no dia seguinte (23), não quis sair da cela hoje. O ex-parlamentar tem o direito de até uma hora de banho de sol por dia.
De acordo com Vieira, o ex-deputado acreano está na cela sem televisão, sem celular e não pediu jornais ou revistas. No primeiro dia de encarceramento, não pediu para telefonar nem recebeu visitas.
Os advogados dele não passaram pelo Bope hoje. Hoje, o ex-deputado almoçou frango, arroz, feijão e salada. A refeição foi paga pelo político, que desembolsou 5 reais. Segundo o tenente-coronel, o ex-deputado está numa cela com janela gradeada e tem 40 policiais fazendo a segurança dele, em turnos de 12 horas. Pascoal ocupa uma cela com dois cômodos: uma saleta de 2 metros por 2 e um quarto de 4 por 2.
Fica ao lado da sala de Vieira, que há três anos abrigou por mais de um ano o ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias. Tem uma cama, uma mesa com duas cadeiras e um banheiro privativo. Segundo Vieira, a ordem de prisão que chegou ontem determinava a detenção do ex-deputado por até 60 dias. "Se a Justiça determinar, ele continuará aqui", afirmou.
Depois de prometer "honrar o nome da Câmara", segundo o juramento da Casa, tomou posse hoje o suplente de Pascoal, o ex-vereador de Rio Branco José Aleksandro da Silva (PFL), o "Zé Alex". "Sou cidadão de bem, não tenho nada a ver com o deputado Hildebrando, não sou ele", disse o deputado empossado.
"Zé Alex" está sendo investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. Ontem, foi enviado à Corregedoria-Geral da Câmara um dossiê com documentos e acusações contra o deputado. Ele afirmou que não tem o "menor medo" de ter o mandato cassado. "Sou honesto", afirmou.
Segundo ele, o irmão Alexandre Silva, que está na lista da suposta quadrilha de narcotraficantes comandadas por Pascoal, é responsável pelos próprios atos. "Ele é maior de idade e já esteve preso por matar a amante de meu pai; por isso responde, por si", disse.


