Brasília, 17 (AE) -O segundo tenente da Polícia Militar do Distrito Federal Euzair Teixeira Nunes foi o autor dos disparos - com munição real - que mataram o jardineiro José Ferreira da Silva, em dezembro do ano passado, durante confronto entre Pms e trabalhadores da Novacap, a companhia de urbanização do DF. A conclusão está no inquérito da Polícia Civil sobre o caso, divulgado hoje pelo secretário de Segurança do DF, José de Jesus.
Nunes foi indiciado no inquérito por homicídio doloso qualificado e três tentativas de homicídio. Além de Ferreira, os tiros disparados por ele acertaram Inácio Alves dos Santos, José Luiz Pereira e Osmar de Jesus Xavier.
A Polícia Militar também anunciou o indiciamento de nove policiais, entre praças e oficiais, envolvidos no confronto. Eles foram indiciados por crimes de perda de eficiência da força
abuso de autoridade e lesões corporais. Entre eles está o comandante da operação, tenente-coronel Mário Vieira. O inquérito tem mais de 700 páginas e mais de 400 fotografias, além de uma fita de vídeo sobre o episódio.
O comandante da PM no Distrito Federal, Antônio Ribeiro, informou que o segundo-tenente Euzair Teixeira está à disposição da Justiça. "Se a Justiça o condenar, ele perderá a patente." Ribeiro disse ainda que outros policiais receberam "punições disciplinares", como prisão administrativa, por estarem envolvidos no espisódio.
No confrontro entre policiais e trabalhadores da Novacap
em 2 de dezembro de 99, dois trabalhadores ficaram cegos de um olho e outros 36 feridos. O jardineiro foi atingido duas vezes por tiros de escopeta calibre 12 enquanto estava sobre um caminhão-gaiola. José Ferrreira foi atingido por dezessete balins de chumbo no corpo. Cada cartucho tem capacidade para 32 balins.
Para chegar ao autor dos disparos os peritos do Instituto de Criminalística de Brasília analisaram imagens de vídeo feitas durante a manifestação e fotografias, além de ouvir mais de 200 testemunhas. O presidente do inquérito policial, delegado Luís Julião Ribeiro, explicou que a polícia também contou com a ajuda de 30 testemunhas. "De acordo com as nossas investigações e depoimentos, o tenente Nunes agiu por conta própria", disse Ribeiro.
Justiça - "O caso está fechado; e agora, vamos enviar os inquéritos ao Judiciário", disse o secretário de Segurança do DF, José de Jesus. Um relatório que apura as responsabilidades pela ação policial contra os trabalhadores da Novacap, feito a pedido do Ministério da Justiça e com participação da Polícia Federal, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público Federal e da Câmara dos Deputados, foi entregue na semana passada ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.
O secretário de Obras do DF, Tadeu Fellipelli, é citado 21 vezes no documento. Fellipelli é acusado de não impedir a ação policial contra os trabalhadores, apesar de ter permanecido por cerca de uma hora no local confronto.
Para o dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no DF, Carlos Zunga, o inquérito "não satisfaz os trabalhadores" por não apontar quem deu a ordem para a PM atacar os manifestantes.

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