Tenente-coronel diz ter sido usado por oficial da reserva no transporte de cocaína
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 10 (AE) - O tenente-coronel aviador Paulo Sérgio Pereira Oliveira, um dos seis denunciados por envolvimento no transporte de 32,9 quilos de cocaína em avião da Força Aérea Brasileira, disse hoje ser inocente e ter sido usado pelo tenente-coronel da reserva Washington Vieira da Silva, que lhe pediu para mandar uma encomenda para Las Palmas (Espanha). Ele incriminou também o ex-policial Adílson Nunes.
"Tudo que fiz foi na boa-fé, jamais iria imaginar que o tenente-coronel Washington estaria envolvido numa situação dessa", afirmou durante interrogatório diante do Conselho Especial de Justiça Militar que vai julgar os acusados. Oliveira disse acreditar que as duas malas continham cachaça, feijão preto, café e açúcar, além de livros.
No depoimento à juíza auditora Maria Placidina Barbosa de Araújo - que integra o Conselho com mais quatro juízes -, o tenente-coronel Oliveira incriminou o tenente-coronel da reserva Washington e o ex-policial civil Adílson Nunes (que ele conheceu como Marcelo).
O tenente-coronel, que desde março trabalha no Comando Aéreo Regional de Manaus, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhava anteriormente, no dia 14 de abril e retornou a Manaus na manhã do dia 18, depois de ter recebido as malas com a cocaína do ex-policial Adílson Nunes e de ter ajudado a carregá-las e entregá-las à tripulação do Hércules C-130 da FAB que iria para França, com escala em Las Palmas.
Ao major Antonio Takuo Tani, piloto do avião, ele disse que as malas eram suas e que o destinatário era seu irmão Luiz César Pereira Oliveira. "Eu já havia enviado duas encomendas para meu irmão - uma mala de uma vez e duas em outra - com coisas semelhantes, cachaça, café, ingredientes de feijoada", explicou. O avião e a cocaína foram apreendidos na madrugada do dia 19, na Base Aérea Militar do Recife, durante escala técnica.
Na verdade, segundo ele, a encomenda era do tenente-coronel Washington e se destinava a José Roberto Monteiro Zau, que é empregado do seu irmão Luiz César, em negócios de informática e instalação de som em casas noturnas. O ex-policial Adílson Nunes é sogro de José Roberto Zau.
O tenente-coronel Oliveira disse que não conhece Zau e que só conheceu Adílson Nunes (cujo nome verdadeiro só veio a saber pela imprensa, já que foi apresentado como Marcelo), na véspera da decolagem do Hércules C-130. O tenente-coronel Washington foi quem lhe forneceu o telefone dele, como a pessoa que iria lhe entregar a encomenda. Eles se encontraram e foram juntos a um supermercado comprar as bebidas e alimentos que ele imaginava iriam encher as malas.
Presos - O tenente-coronel Pereira de Oliveira e o major Luiz Antônio da Silva Greff, que depõe nesta sexta-feira, estão presos na Base Aérea do Recife. Os outros indiciados estão foragidos e serão julgados à revelia. São o tenente-coronel Washington, o ex-policial Adílson Nunes, Luiz César Pereira Oliveira e José Roberto Zau.Eles foram denunciados com base no artigo 290 do Código Penal Militar, que proíbe o ingresso de substância entorpecente em área militar. Se condenados, serão ser condenados a até cinco anos de prisão e os oficiais devem perder a farda.
No final do interrogatório do tenente-coronel Oliveira seu advogado José de Siqueira pediu a suspensão da prisão do oficial, o que foi negado por unanimidade pelo Conselho.


