Tenente confessa detenção de jovens assassinados na Baixada Santista
São Paulo, 28 (AE) - O tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira confessou ontem (27) que ele e os três PMs do Regimento de Cavalaria 9 de Julho detiveram os três rapazes assassinados na Baixada Santista, durante o carnaval. Os jovens foram detidos em São Vicente, no litoral paulista, após um baile de carnaval na Quarta-Feira de Cinzas, e mortos em um matagal em Praia Grande, município vizinho. Seus corpos foram achados 15 dias depois.
A confissão do tenente é parte da estratégia da defesa para tentar livrar o oficial da condenação pelo triplo homicídio e pela ocultação dos cadáveres. Na semana passada, o advogado do oficial, Jaime Camilo, procurou o promotor Walfredo Cunha Campos
que denunciou os réus, informando que seu cliente desejava confessar. O promotor disse que isso deveria ser feito no interrogatório dos réus, na 1.ª Vara de Praia Grande.
Para o promotor, a confissão não era essencial, pois ele já tinha 19 testemunhas que reconheceram os PMs e um exame de DNA mostrando que o sangue achado no carro usado pelos réus era de uma das vítimas: Paulo Roberto da Silva, de 21 anos. Para ele
todos os policiais participaram do crime.
O advogado procurou a Corregedoria da PM, onde foi ouvido novamente ontem. Até então, os policiais negavam até mesmo a detenção dos jovens. Agora, o tenente disse que sua equipe deteve os rapazes e achou uma porção de maconha com um deles. Em sua confissão, o oficial reconhece uma participação menor no crime. Disse que deixou os detidos com os outros três PMs e foi até a casa de parentes na Baixada Santista apanhar roupas civis, que seriam usadas para tentar prender o traficante que vendera a maconha aos jovens.
O tenente nega ter presenciado as mortes e a ocultação dos corpos. Disse que os PMs lhe contaram que um deles morreu acidentalmente, quando uma arma disparou, e os outros foram mortos porque tentaram pegar a arma de um deles. "Tenho muitas dúvidas em relação a essa confissão", disse o coronel Luiz Carlos Guimarães, chefe da Corregedoria. O órgão estava ouvindo hoje os depoimentos dos outros três acusados. (Marcelo Godoy)





