São Paulo, 27 (AE) - A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 249 milhões em dezembro de 1999. O resultado foi o primeiro saldo positivo desde 1993. No acumulado do ano o resultado permanece negativo, representando melhoria de cerca de US$ 5,6 bilhões em relação a 1998. A tendência, segundo o Boletim Funcex (Fundação e Centro de Estudos de Comércio Exterior), é de recuperação das exportações em 2000.
As exportações alcançaram US$ 4,4 bilhões em dezembro, o maior valor mensal de 1999, levando-se em consideração a sazonalidade negativa do período. O resultado significou um crescimento de 18,5% em relação ao mesmo mês de 1998. O aumento anual teve queda de 6,1% por conta do mau desempenho registrado no primeiro semestre, informa o Boletim Funcex.
Os dados de preço e quantum de exportações revelam expansão das quantidades. O quantum total, em dezembro, aumentou de 28,8% em relação ao mesmo período de 1998. No acumulado do ano o saldo foi de 6,4%. Em comparação aos preços, o comportamento foi mais favorável, apesar da redução de 8,1% no mês. O crescimento de 11,3% no valor exportado no quatro trimestre do ano passado inverteu a queda observada nos três primeiros trimestres.
Nas três classes de produtos o mesmo padrão se repetiu. Os básicos aumentaram 28,7% do quantum exportado em dezembro na comparação com o mesmo período de 1998. O valor representa um crescimento de 24% no último trimestre. Os semimanufaturados a variação positiva foi de 33,2% em dezembro. No último trimestre o segmento aumentou 21,8%.
A variação positiva do quantum no acumulado de 1999 para os produtos básicos e semimanufaturados ficou em 8,4% e 15,9%, respectivamente. Com relação aos preços desses produtos, apesar da tendência de recuperação no último trimestre, as quedas acumuladas no ano de 15,1% para os básicos e de 15,2% para os semimanufaturados explicam boa parte do desempenho negativo das exportações totais em termos de valor. Outra explicação, revela o boletim, é comportamento das exportações de manufaturados, que tiveram queda de 7% em valor, também devida à redução de 8,9% dos preços no acumulado de 1999.
Segundo o boletim, a manutenção desta tendência favorável - que reflete a superação de várias quedas que prejudicaram as exportações desde o final de 1997 -, deve gerar um comportamento mais dinâmico das exportações em 2000, em termos de quantum e em valor. A análise trimestre a trimestre indica recuperação modesta dos valores importados. No último trimestre, a taxa de variação em relação ao mesmo período de 1998 foi de -8,4%. Nos três primeiros trimestres de 1999 os resultados ficaram negativos em 21%, 13,2% e 16,6%, respectivamente.
Matérias-primas e bens intermediários caíram 9,9% no ano passado. Os bens duráveis acumularam queda de 50,9%. O desempenho dos valores importados em 1999, segundo o boletim, só não foi pior por conta dos preços, que aumentaram 6,5% no acumulado do ano, registrando queda no quantum de 19,9%.
Nas categorias de uso os saldos em 1999 foram os seguintes: aumento do preço dos bens de capital (12,1%) e dos combustíveis (22%), que tiveram como reflexo a alta das cotações internacionais do petróleo. Em termos de quantum, nenhuma categoria registrou crescimento, destacando-se a queda de 51,2% dos bens de consumo duráveis.

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