Tendência é de crescimento acelerado
Curitiba - De acordo com o sociólogo Júlio Jacobo, coordenador do Instituto Sangari, a tendência é de que o número de mortes envolvendo motociclistas continue crescendo e de forma acelerada, principalmente pela facilidade para comprar uma moto e pela necessidade de deslocamento urbano. ''No geral, com o barateamento do veículo e o acesso ao crédito, disparou a compra de motocicletas. Também verificamos o crescimento dos serviços feitos por meio deste veículo, como as entregas, por exemplo. Então seria normal olhar com mais cuidado para estes números porque são assustadores'', afirmou. Jacobo também destacou que a fiscalização dos órgãos de segurança é mais efetiva em relação aos veículos de quatro rodas.
O sociólogo destaca ainda que o risco de morte dos motociclistas em acidentes chega a ser 14 vezes maior que a dos ocupantes de automóvel. Durante a última década, o número de automóveis em circulação mais que dobrou (118%), mas as mortes em acidentes envolvendo os ocupantes de automóveis cresceram 72%. De acordo com a análise de dados, o risco em automóvel caiu 46 pontos porcentuais no período.
Jacobo sugere que o Estado atue para melhorar a estrutura viária, implante medidas que garantam mais segurança, insista em campanhas de mudança de comportamento e melhore o atendimento de pronto-socorro. Segundo ele, o governo federal e os governos estaduais deveriam trabalhar de forma mais articulada. ''A vida não é federal, nem estadual e nem municipal. Mas a responsabilidade de melhorar a estrutura viária e criar ações de conscientização e de fiscalização sim. E isto tem de acontecer de maneira mais rápida e efetiva'', alertou.
Lesões
O professor da Faculdade Evangélica e médico ortopedista do Hospital Evangélico de Curitiba, Flamarion dos Santos Batista, informou que a quantidade de atendimentos a motociclistas envolvidos em acidentes cresceu vertiginosamente na capital. E o que mais preocupa, segundo ele, é o aumento de jovens envolvidos nos acidentes com motos. Desde lesões mais leves, nas pernas e braços a casos mais graves, como fraturas de pescoço e abdômen e até mesmo no crânio vêm sendo registradas.
Além disso, destaca o médico, o valor repassado pelo SUS para cobrir os atendimentos feitos em relação aos acidentes de trânsito é constantemente superado pela quantidade de ocorrências. ''Atendemos os acidentes e, em muitos casos, a internação dura alguns dias, ocupam leitos de UTI, então tudo isso é custeado pelo SUS e, percebemos na prática que o custo para atender os acidentados em motos cresceu realmente'', disse.
Segundo a assessoria do Hospital Evangélico a instituição atende 1.800 pacientes envolvidos em acidentes com motos no ano passado. Em 2012, já foram realizados 800 atendimentos.(R.C.J.)





