Temporários protestam após atrasos nos salários
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Os salários dos professores temporários contratados por meio do Processo de Seleção Simplificado (PSS) deveriam ter sido depositados no dia 30 de dezembro. Estes profissionais correspondem a 26% do quatro de professores que atuam hoje nas escolas estaduais do Paraná. Dos 106 mil docentes, 28 mil são contratados de forma temporária e 78 mil são concursados.
Desde a posse do governador Beto Richa, várias manifestações têm sido realizadas pela categoria para reivindicar os pagamentos. Ontem, professores realizaram um ato público na Boca Maldita, em Curitiba, com a distribuição de panfletos explicando os motivos do protesto e ainda promoveram um bazar beneficente para ajudar os funcionários que permanecem sem os salários.
Em Londrina, aproximadamente, 15 profissionais se reuniram em frente à sede do Núcleo Regional de Educação. O grupo pendurou faixas nos portões do prédio. O diretor em Londrina do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), que representa a categoria, Antônio Marcos Gonçalves, entregou uma moção de repúdio a uma representante do núcleo regional, que preferiu não se pronunciar a respeito. Gonçalves criticou ainda a decisão da Justiça que negou o pedido de liminar protocolado pelo sindicato. "Repudiamos também a decisão do Judiciário por alegar que há a previsão de correção desses valores. Os servidores não são especuladores para viverem de juros e multas. Eles vivem dos salários do mês trabalhado", ressaltou.
Conforme a Secretaria de Estado da Educação, 1.800 professores temporários atuam em Londrina, o que corresponde a 24% dos que fazem parte da rede estadual na cidade.
Para o professor de história Maico José de Moura, o descaso com o setor reflete na qualidade do ensino. "Geralmente, a gente vai pegando as aulas durante o ano conforme vão aparecendo as licenças dos professores concursados. Todo ano é essa indecisão. Nós nunca sabemos quando vamos começar a trabalhar e agora também não sabemos quando vamos receber. A educação é vista como um favor para a população e não como uma obrigação do Estado", desabafou Moura, que atua como temporário desde 2011.
A professora de história Amanda Cristina do Nascimento também está apreensiva com os próximos pagamentos. "Deixei de pagar algumas contas por causa desse atraso. Alguns professores foram viajar sem dinheiro mesmo. No começo do ano, geralmente, os nossos salários também são atrasados. Algumas escolas até nos fornecem o passe de ônibus para que os alunos não fiquem sem aulas", contou. Funcionários do setor administrativo da rede de ensino também estão sem receber.
De acordo com a APP-Sindicato, 13 mil professores foram aprovados no último concurso público realizado pelo Estado. Em dezembro, 6 mil foram chamados para assumir as vagas. Os profissionais fizeram exames médicos e já escolheram as aulas, no entanto, não foram nomeados até o momento. O presidente estadual da APP-Sindicato, Hermes Silva Leão, afirmou que a categoria permanece em estado de greve. "Temos uma assembleia estadual convocada para o dia 7 de fevereiro em Guarapuava. Já pedimos uma audiência com o novo secretário de Educação [Fernando Xavier Ferreira] e estamos aguardando os novos posicionamentos", destacou.
Duas reivindicações da categoria não foram atendidas, segundo Leão. Estão pendentes a aprovação de uma lei para garantir aumento nos salários dos professores temporários de acordo com a maior habilitação, como a pós-graduação, por exemplo, e melhorias nos serviços de saúde oferecidos aos servidores.
RESPOSTAS
A assessoria da Secretaria de Estado da Fazenda garantiu que os salários serão depositados até o final da tarde de hoje. Ao todo, além dos 28 mil professores, funcionários temporários das secretarias de Segurança, Justiça e Trabalho vão receber parte dos R$ 77 milhões que serão repassados nesta quinta-feira. A assessoria da Secretaria de Estado da Educação não garantiu que haverá novas contratações em 2015.


