Brasília- O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu ontem que mais mortes por febre amarela poderão ocorrer, mas eximiu totalmente o governo de culpa em relação ao aumento de casos da doença neste ano. ''Todos os casos de morte foram de pessoas que não se vacinaram e foram para áreas de risco e não se protegeram'', disse Temporão, para quem há informações suficientes sobre os riscos nas áreas endêmicas - onde há permanente risco de se contrair a doença.
''Todas as pessoas que viajam para essas áreas sabem que têm que se vacinar. Pessoas que não tomaram, foram por sua própria conta e risco. Pois a vacina é disponível. O alerta é feito permanentemente. Eu, por exemplo, quando fui visitar Pirenópolis (GO) há dois anos atrás, sabia que tinha de ser vacinado. Levei a minha família e todos foram vacinados'', afirmou, descartando a necessidade de se estabelecer uma campanha permanente para que a população brasileira se mantenha vacinada, como ocorre com outras doenças, como a dengue.
Na realidade, a disseminação da informação sobre a necessidade de vacinação para quem viaja a regiões endêmicas não é tão grande, como faz crer o ministro, que é médico sanitarista e naturalmente é bem melhor informado sobre o assunto do que a maioria da população.
Na visão de Temporão, não há epidemia da doença e a situação está sob controle.
Segundo ele, a situação neste ano é melhor que em 2000 e 2003, quando houve significativos aumento nos casos de febre amarela, e está sob controle. Para Temporão, a imprensa tem responsabilidade na corrida da população para tomar vacina e advertiu que é contra-indicado as pessoas tomarem a vacina antes do prazo de validade de 10 anos. Quem tiver dúvida se tomou vacina, deve procurar o posto de saúde onde costuma se vacinar e verificar se o fez''.
Pessoas com a imunização contra a febre amarela em dia têm engrossado as filas de vacinação contra a doença no país e acabado rapidamente com as doses enviadas pelo governo federal. Em cinco Estados considerados endêmicos ou de transição da febre, a cobertura vacinal já passa de 100%, o que indica que as pessoas estão se vacinando mais de uma vez num período menor que dez anos _prazo de validade da vacina.
Para quem não tomou vacina e vai para as regiões de risco, Temporão voltou a recomendar que o façam e disse que haverá um trabalho reforçado no Carnaval, quando as pessoas viajam. ''É preciso ter vigilância redobrada''.
O ministro explica que o ciclo da febre amarela está associado ao fim do período em que os macacos estão com os anticorpos da mãe ainda protegendo, que dura cerca de seis anos. Por isso, avalia, outro ciclo de aparecimento da forma silvestre da doença pode ocorrer em alguns anos. Ele considera que, pela natureza do Brasil, com grandes regiões de florestas, a forma silvestre da febre amarela sempre existirá. Outro fator que pode estar tendo alguma influência no reaparecimento periódico da doença, gerando morte de macacos, seria o desequilíbrio ecológico.

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