Temporão diz que não há risco de surto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Lígia Formenti<BR>Agência Estado 
Brasília - Pela primeira vez desde a notícia de contaminação de macacos em Goiás e no Distrito Federal, do registro de duas mortes por suspeita de febre amarela e de uma corrida aos postos de saúde, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que nada vai mudar na estratégia do governo. Temporão falou sobre medidas de contenção da doença no País: defendendo-se das acusações de negligência, afirmou que todas as ações foram tomadas no tempo e hora corretos.
''A população acredita estar acontecendo alguma coisa nova e muito grave, o que não é verdade'', argumentou o ministro. Ele observou que casos de febre amarela ocorrem todos os anos e que, desde 2003, foi constatada uma redução significativa do número de casos. O ministro argumentou ainda que antes da morte dos macacos não havia como adotar nenhuma providência. ''Temos que agir diante de fatos, não de suposições.''
O Ministério da Saúde já contabiliza oito casos suspeitos da doença, em investigação em todo o País. Três deles são no Distrito Federal e foram anunciados segunda-feira. Um dos pacientes, o administrador de empresas Graco Carvalho Abubakir, 38 anos, foi internado com suspeita da doença na sexta-feira, morreu e foi enterrado terça-feira.
Desde que a notícia dos casos suspeitos foi divulgada, houve uma corrida da população para postos de vacinação no Distrito Federal. Ao contrário do que afirmou o secretário de Saúde do Distrito Federal, Geraldo Maciel, o ministro garantiu não ser necessária a vacinação de toda a população. Segundo ele, somente pessoas que vão para áreas onde há mata precisam ser imunizadas - dez dias antes da viagem, o prazo para o organismo produzir anticorpos contra o vírus causador da febre amarela. ''Quem não vai sair do Plano Piloto, não precisa'', garantiu. Desde que a morte dos macacos foi registrada, no entanto, Maciel fez um apelo para que a população que não estivesse em dia com a carteira de vacinação procurasse os postos de saúde.
O ministro descartou também a necessidade da realização de vacinação nas estradas ou da realização de uma campanha de vacinação em massa. ''A situação está absolutamente sobre controle, não há risco de epidemia'', observou. ''Vacinar pessoas em áreas onde não há risco seria um desperdício de recursos públicos'', completou.


