Temporal provoca prejuízo de R$ 1,5 mi
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
O temporal que atingiu Ribeirão Preto anteontem e ontem provocou o alagamento de mais de 200 imóveis, o desaparecimento de uma pessoa e cerca de R$ 1 milhão de prejuízo. O Ribeirão Preto, que corre ao longo da avenida Gerônimo Gonçalves, e o Córrego do Retiro, ao longo da Avenida Francisco Junqueira, na área central, transbordaram por volta das 20h30.
Na madrugada de ontem, o nível da água dos córregos estava um metro acima do asfalto, no ponto onde as duas avenidas se encontram. Choveu forte na cidade durante nove horas, até por volta das 5h30, quando diminuiu a intensidade do temporal.
No bairro mais atingido pela enchente, a Vila Virginia, o Ribeirão Preto invadiu as ruas no começo do temporal e atingiu 1,5 metro dentro das casas. Os moradores passaram a madrugada ilhados, tentando salvar móveis, alimentos e roupas.
O servente de pedreiro Erisval Gadi dos Santos, 22, foi arrastado pela correnteza do Ribeirão Preto, na Avenida Francisco Junqueira. Até o final da tarde de ontem, os bombeiros não haviam encontrado Santos. Segundo a família do servente, ele saiu de casa com amigos no início do temporal e estava ajudando a retirar veículos da avenida alagada.
Pelo bico, o grupo de rapazes recebeu R$ 30 durante o temporal. Por causa da força da água não acreditamos que ele esteja vivo ainda, afirmou Maria da Paz Gualberto dos Santos, tia do homem desaparecido. Cerca de 140 estabelecimentos comerciais foram alagados, principalmente os que ficam nas proximidades das avenidas Francisco Junqueira e Jerônimo Gonçalves.
A inundação desse ano foi a mais longa que já vi, disse o comerciante Henrique Faria de Paula, dono da Casa do Açougueiro. O comerciante estima ter perdido cerca de R$ 30 mil com a inundação. Os comerciantes calculam que, juntos, perderam mais de R$ 1,5 milhão com os estragos.
A vedação de madeira colocada nas portas, criada por causa das constantes enchentes, não impediu o alagamento da Interlatas, loja que fica no ponto mais crítico da Avenida Francisco Junqueira, onde dois córregos se
encontram.
Tivemos mais de R$ 10 mil de prejuízo, não dormimos à noite e não temos uma previsão de quando a prefeitura vai resolver esse problema, disse Norma Helena Maia Mendes, dona da loja. A prefeitura divulgou no ano passado que já tem um projeto para conter as enchentes na cidade, mas que a execução foi adiada para este ano por falta de dinheiro.
O gráfico Fernando Luiz Busanelli passou a madrugada isolado com a família em cima do sobrado onde mora. No andar de baixo, móveis e roupas ficaram sob a água do Ribeirão Preto. O que deu para salvar levamos para cima e esperamos a água abaixar. Isso só foi acontecer de manhã, afirmou.
No quarteirão onde o gráfico mora, das 12 famílias, apenas três passaram o domingo em casa. As demais foram para a residência de parentes e amigos. Equipes do Corpo de Bombeiros passaram a madrugada socorrendo famílias que estavam isoladas pelo temporal.
Vinte ônibus da empresa Rápido DOeste, uma das concessionárias do transporte urbano em Ribeirão, ficaram embaixo da água durante o temporal. Os veículos estavam dentro da garagem da empresa, na Vila Virgínia, que foi atingida pela enchente durante a madrugada.
O transporte de passageiros só não foi comprometido porque havia ônibus de reserva em outro local, disse José Roberto Iasber Felício, diretor da Rápido DOeste.


