São Paulo, 12 (AE) - Três pessoas morreram hoje (12) em um desabamento provocado pela forte chuva que atingiu a Grande São Paulo no fim da tarde. Geralda Aparecida Lopes da Cruz, de 36 anos, e seus filhos Dalan Lopes da Cruz, de 7, e Luana Aparecida da Cruz, de 11, ficaram soterrados no desmoronamento de sua casa
na Rua Sebastião Fernandes Tourinho, na Vila Nogueira, em Diadema, às 18h15.
A enxurrada derrubou um muro de arrimo e invadiu a casa. O pai das crianças, José Nero da Cruz, de 60 anos, e outra filha do casal, Maiara, de 10, ficaram feridos e foram levados para o Hospital Público de Diadema. Os vizinhos ajudaram a socorrer as vítimas antes da chegada do Corpo de Bombeiros. A família tinha-se mudado para o local havia 6 meses. Outras três casas foram atingidas e apresentavam rachaduras.
A chuva trouxe muitos transtornos à capital e à região do ABC. A Rodovia Anchieta ficou interditada, no quilômetro 13, em São Bernardo do Campo, por causa do transbordamento de um córrego. As pistas ficaram alagadas e intransitáveis. O congestionamento em ambos sentidos chegava a 4 quilômetros.
A Avenida 23 de Maio ficou alagada próximo do Obelisco, no Ibirapuera, zona sul, e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditou as duas pistas. O trânsito foi desviado para o Túnel Ayrton Senna.
Como medida preventiva, a CET também interditou a pista sentido Santana-Aeroporto do Túnel do Anhangabaú. Às 18 horas, a CET registrava 58 quilômetros de congestionamento na cidade e havia alagamento ainda na pista local da Marginal do Pinheiros, sentido Jaguaré-Santo Amaro.
A chuva provocou transbordamentos do Rio Tamanduateí, na altura da Rua Barão de Jaguara, no Cambuci, e do Córrego do Ipiranga, na Avenida Abraão de Morais, ambos na zona sul.
O Córrego Aricanduva transbordou na região da Avenida Itaquera e Rua Tumucumaque, em Itaquera, na zona leste. Os Rios Tietê e Pinheiros estavam à noite com o nível de água bastante elevado, mas não transbordaram.
A Avenida Francisco Matarazzo, sentido bairro-centro, também ficou coberta de água nas proximidades do Parque da água Branca. Os veículos conseguiam passar pelo local, mas o engarrafamento chegou ao Viaduto Antartica. Outro ponto afetado pelas chuvas foi a faixa direita da Avenida Vereador José Diniz, altura da Rua José dos Santos Júnior, sentido bairro-centro.
A chuva também atrapalhou a circulação de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A estação de São Caetano do Sul ficou alagada.
Ilhados - O Corpo de Bombeiros informou que a maior parte dos pedidos de ajuda veio da zona sul. Houve casos de pessoas ilhadas dentro de casas e de veículos no Cambuci, além de alagamentos nas Avenidas Nazaré, Ricardo Jafet e Presidente Wilson, no Ipiranga, e Roque Petroni Júnior, no Brooklin. Parte da cidade ficou sem luz e casas foram destelhadas. Várias pessoas ficaram ilhadas, dentro de um ônibus, na Avenida Miguel Estéfano, em frente do Jardim Botânico, na zona sul.
Na região do ABC, a forte chuva também provocou transtornos. Em Diadema, a água alcançou 20 centímetros de altura no Largo de Piraporinha. No mesmo município, um córrego transbordou e alagou várias ruas e avenidas. Também ficaram cobertos de água o centro do bairro Eldorado, a Avenida Alda, no centro, e a Rua 25 de Janeiro, no Jardim Canhema.
São Bernardo do Campo foi outra cidade que registrou problemas. O Corpo de Bombeiros recebeu mais de cem solicitações de carros sendo levados pela água, ônibus encalhados e pessoas ilhadas. No centro, a água alcançou 2 metros em alguns pontos.
A Defesa Civil de Santo André também recebeu vários chamados, informando sobre alagamentos e o transbordamento de pelo menos um córrego. Na capital, o Aeroporto de Congonhas suspendeu as operações de pouso e decolagem da Ponte Aérea Rio-São Paulo, às 18h45, por causa do temporal.
"Calamidade" - Com água na cintura, moradores da Rua Guaicuri, na Cidade Júlia, em Santo Amaro, estavam desesperados e pedindo ajuda. "É uma calamidade de água e sujeira", disse a dona de casa Neci Maria Ribeiro.
Segundo ela, todo ano há enchente, mas nunca como desta vez. O marido dela, Paulo, juntou-se aos vizinhos para tentar impedir que as casas fossem invadidas pelas águas. "Não adianta, porque os bueiros estão entupidos", contou ele. "A imundície da rua está saindo pelo meu banheiro."
Paulo Ribeiro informou que, no ano passado, o prefeito Celso Pitta esteve na região e prometeu tomar providências. "Não fizeram nada até hoje."
A padaria, o açougue e a maioria das casas da rua ficaram inundados. Pedras usadas como calçamento na rua de cima desceram com a enxurrada.
Segundo dados do Departamento de águas e Energia Elétrica (DAEE), divulgados pela Defesa Civil do Município, na região do Jabaquara choveu 84 milímetros hoje até 19 horas, 65 mm em Santo Amaro e 35mm no Ipiranga, bairros da zona sul. Foram registrados 20mm na área do Aricanduva.Por Luciana Garbin (Colaboraram Rosa Bastos, José Gonçalves Neto e Marcelo Cardoso, Lilian Santos e Rosana Telles)

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