Temporal no Rio deixa ao menos dez mortos
Média de gastos da gestão Marcelo Crivella em ações voltadas à prevenção de enchentes caiu 71% em relação ao aplicado no governo anterior
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quarta-feira, 10 de abril de 2019
Média de gastos da gestão Marcelo Crivella em ações voltadas à prevenção de enchentes caiu 71% em relação ao aplicado no governo anterior
Folhapress 
Rio - O número de mortos em decorrência do temporal que atingiu o Rio de Janeiro na noite desta segunda (8) subiu para dez. O Corpo de Bombeiros localizou nesta terça (9) três corpos dentro de um táxi soterrado próximo à Ladeira do Leme, na zona sul da capital. Segundo a delegada Valéria Aragão, da 12ª DP, são de uma idosa, uma criança e um homem. As outras vítimas foram um homem encontrado preso embaixo de um carro na Gávea (zona sul), duas mulheres soterradas em um deslizamento de terra e um homem não identificado no Morro da Babilônia (zona sul). Em Santa Cruz (zona oeste) um homem morreu afogado e outro eletrocutado. Foi confirmada também a morte de um homem por afogamento em Guaratiba (zona oeste).

O temporal deixou ainda ao menos 1.204 desalojados, 220 desabrigados e seis feridos no Estado, segundo balanço do governo do Rio. A água encobriu parte de carros, derrubou árvores e paralisou o trânsito. Segundo a prefeitura, em algumas localidades choveu em quatro horas mais do que o esperado para o mês. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), reconheceu nesta terça (9) que sua gestão falhou ao não se antecipar às chuvas para evitar o alagamento nas ruas da cidade, principalmente na zona sul.
Crivella afirmou que as equipes da Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) e equipamentos para desobstruir a rede pluvial saíram apenas no meio da tarde para as ruas. Segundo o mandatário, eles ficaram presos no trânsito e não chegaram às áreas mais críticas.
"Minha casa já era", lamentou Carlos, 41, uma ironia na voz que não passava despercebida. Seu "lar, salgado lar", como ele mesmo descrevia, era uma caixa de papelão a metros do Copacabana Palace, hotel que é sinônimo de luxo no Rio de Janeiro. Morador de rua há mais ou menos uma década (diz que se perdeu "no andar dos anos"), ele correu para procurar abrigo após o temporal que inundou a cidade nesta segunda, ele e o Pintinho, um vira-lata "meio amarelado" que começou a segui-lo no Carnaval. Ninguém quis deixá-lo entrar, disse.
Os comércios de Copacabana "puxavam madame, marmanjo, criança, todo mundo pra dentro, até gente com cachorro". Se tentava ele entrar, diziam não. Carlos culpou a falta de banho (o último, "se alembro bem", foi na semana passada) pela recusa. Jandira, que diz não lembrar idade nem sobrenome (aparenta estar na casa dos 50 anos), acha que é "falta de educação do povo mesmo".
Ela contou que, quando o temporal apertou, foi procurar abrigo sob marquises. Mas esse temporal foi pior do que qualquer um que viu, e olha que está "há muito tempo" dormindo no asfalto. Tentou entrar numa lanchonete, mas a enxotaram dali, disse. "Isso é desumano. Queriam o que, que eu me afogasse? Não duvido nada."
Segundo levantamento da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, quase 15 mil pessoas vivem nas ruas da cidade, número que triplicou entre 2013 e 2016.
PREVENÇÃO
A média de gastos executados pela gestão Marcelo Crivella (PRB) em ações voltadas à prevenção de enchentes caiu 71% em relação ao aplicado no governo anterior. Os dados foram levantados pelo gabinete da vereador Teresa Bergher (PSDB), opositora das duas gestões. De acordo com os dados, Paes investiu em sua segunda gestão (2013 a 2016) R$ 529,2 milhões por ano, em média. Já sob Crivella, nos dois primeiros anos, foram aplicados R$ 152,9 milhões em média. O levantamento leva em conta 15 ações orçamentárias que se referem à prevenção de enchentes. Inclui desde contenção de encosta como manutenção da drenagem das redes pluviais.


