Temporal atinge zona sul, alaga ruas e fecha aeroporto
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terça-feira, 02 de março de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 02 (AE) - Uma forte pancada de chuva, no meio da tarde de hoje, voltou a causar transtornos em São Paulo, principalmente nas zonas leste e sul da capital. Na Avenida Ricardo Jafet, a água do Córrego do Ipiranga invadiu as duas pistas e as casas próximas. O Córrego Pirajuçara voltou a transbordar. O Aeroporto de Congonhas ficou fechado durante meia hora. Na zona leste, o vento destelhou casas.
A situação só não foi pior porque a chuva mais intensa durou cerca de duas horas. Tempo suficiente para deixar intransitáveis a Avenida Aricanduva perto da Rua Armando Cardoso Alves, no sentido Marginal Tietê-Itaquera, por causa do transbordamento do Córrego Aricanduva. Nos dois sentidos da Avenida Ricardo Jafet também não era possível passar, assim como na Avenida Francisco Morato, na Estrada do Campo Limpo e na Avenida do Estado com Rua Brigadeiro Jordão, no sentido Santana-Ipiranga. Também a Avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Melo, na zona leste, virou um grande rio.
Às 18 horas de hoje, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), registrou lentidão de 11 quilômetros na cidade, índice muito inferior à média que oscila entre 60 e 70 quilômetros no horário de pico, em dias normais. Hoje não foi um dia normal. Depois de sofrer, repetidamente, em enormes congestionamentos, de ficar a pé porque o carro quebrou ou foi arrastado pela enchente, o paulistano preferiu esperar, no trabalho, para voltar para casa em segurança.
Essa foi a explicação que os técnicos da CET encontraram para justificar o trânsito bom no meio do horário de pico, que vai das 17 às 20 horas. O Aeroporto de Congonhas chegou a ser fechado, às 14h20 para pousos e decolagens, por causa de uma pancada de chuva na zona sul. Às 15h20 os aviões voltaram a voar e cerca de uma hora depois ruas e avenidas estavam liberadas. Mas as pessoas preferiram não se arriscar. Só depois das 18 horas o movimento começou a aumentar. Mas às 19 horas a lentidão ainda era de 21 quilômetros.
Uma feira livre e o transbordamento do Córrego do Ipiranga são os maiores dramas dos moradores da Rua São Silvino, no Ipiranga, uma região de classe média alta. Hoje as águas atingiram mais de 1 metro de altura e invadiram suas casas, danificando sofás, armários e fazendo boiar os carros que estavam nas garagens.
"Com qualquer chuva o córrego transborda, mas nunca chega a esse nível", disse o representante comercial Jeferson Satiro, de 40 anos, morador há um ano no local. "A situação ficou mais grave por causa da sujeira deixada pela feira que se realiza aqui todas as terças e a prefeitura não veio retirar."
"Resto de frutas, verduras, de peixe, palhas de milho e sacos de lixo entupiram os bueiros, fazendo com que a água invadisse as casas", acrescentou. Sua vizinha, a dona de casa Nadir Manfrini, de 59 anos, disse que há 30 anos luta para tirar a feira do local. "O lixo tampa os bueiros e a água sobe rapidamente", reclamou. A água só não invadiu sua casa porque toda a frente é fechada por comportas. Peterson Satiro, de 17 anos, filho de Jeferson, tirava, com uma mangueira, a lama acumulada na rua. "Nem isso a Prefeitura vem fazer."


