São Paulo, 7 (AE-AP) - Uma morte, ruas tomadas por mais de 1 metro de água, carros levados pela enxurrada, bairros sem luz, semáforos desligados, trânsito lento e pousos e decolagens suspensos. O temporal que atingiu a capital e Grande São Paulo na tarde de hoje (7), causou uma série de transtornos.
Foi a segunda grande enchente do ano - no dia 1.º, uma forte chuva castigou a região. As precipitações de ontem tiveram maior intensidade nas regiões oeste, sul e parte da norte.
Josiane Gomes dos Santos, de 9 anos, morreu soterrada quando sua casa desabou em consequência da chuva em Guarulhos, na região metropolitana. Eram 16h45. A casa 12 da Rua João Pasqual Talmeran, no Jardim Bondança, na periferia, desabou. Josiane encontrava-se sozinha, pois seus pais estavam no trabalho.
Às 17h30, havia 84 quilômetros de congestionamento nos principais corredores da capital. O índice, considerado baixo num dia de intensa chuva, é explicado pelo fato de que muitas das vias alagadas não entram na medição da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Segundo os técnicos do Centro Tecnológico de Hidráulica, a chuva forte foi tipicamente de verão. Eles informaram que ela não se deslocou. Nasceu, desenvolveu-se e precipitou-se em pontos fixos.
Conforme os dados colhidos pela rede telemétrica do Departamento de água e Energia Elétrica (Daee), choveu 43 milímetros na região da Ponte do Limão, na Marginal do Tietê. Já na barragem móvel, sob o Cebolão, foi registrada uma precipitação de apenas 8 milímetros. Às 16h30, o radar meteorológico registrava chuvas no Vale do Paraíba, principalmente na região de Taubaté e em Campinas.
A partir das 15 horas, ocorreram falhas no fornecimento de energia por causa da queda de galhos e árvores sobre a rede elétrica, principalmente nas zonas sul e oeste. Até as 17 horas, permaneciam sem luz parte dos bairros de Parelheiros, Santo Amaro, Sacomã e Granja Julieta, na zona Sul; Perus, na zona oeste; e Casa Verde, na norte. O problema também persistia em Itapecerica da Serra e Embu, na Grande São Paulo.
A Eletropaulo informou que a previsão era restabelecer o fornecimento até as 17h30, mas, por causa do tráfego lento e das vias alagadas, as equipes tinham dificuldades para chegar aos locais.
Vôos - Um raio atingiu por volta das 14h30 o sistema de balizamento da pista do Aeroporto Internacional de Congonhas - trata-se da iluminação na margem da pista que auxilia na aproximação dos aviões, à noite ou quando o céu está escuro, como ontem. Pousos e decolagens ficaram suspensos durante 15 minutos.
Com a suspensão das operações, cerca de 12 aviões receberam ordens para continuar circulando pela área até a situação se normalizar. O mesmo aviso foi transmitido àqueles que sobrevoavam a região de Brasília e do Paraná.
Ilhados - Os alagamentos mais graves ocorreram nos bairros da Lapa e Butantã, na zona oeste, e Morumbi, na sul. Na Ruas Turiaçu e Venâncio Aires, nas Avenidas Pompéia e Francisco Matarazzo, na Praça Luis Carlos Mesquita e na região do Mercado Municipal da Lapa, o nível das águas chegou a mais de 1 metro de altura, impedindo a passagem de veículos. Muitos motoristas deixaram seus carros, que eram carregados pela enxurrada.
Na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente do Estádio do Morumbi, os bombeiros foram chamados para retirar pessoas ilhadas em seus carros. As águas do Córrego do Pirajuçara refluíram pelos bueiros na região do Butantã, inundando a Rua Professor Indalécio de Melo e Padre Correia de Almeida. Na Avenida Francisco Morato, os veículos não podiam circular no trecho entre a Rua Alvarenga e a Praça Paula Moreira, já que as águas cobriam os pneus dos carros.
Na Marginal do Pinheiros, três alagamentos de destaque foram registrados na Curva da Traição e sob as pontes nova e velha do Morumbi.
Depois que as águas escoaram, surgiu outro problema na Rua Alvarenga. Operários, utilizando um guindaste, bloquearam a via próximo ao número 1.088 para realizar trabalhos de contenção de um painel de propaganda que ameaçava cair. O acesso a Rodovia Raposo Tavares ficou congestionado.

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