Temporal adia discussão sobre demissão de Greca7/Mar, 19:30 Por Christiane Samarco e Edson Luiz Brasília, 07 (AE) - Um misto de sorte e conveniência política do PFL e do Palácio do Planalto deve garantir uma sobrevida no governo ao ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. A cogitada demissão do ministro envolvido em denúncias de corrupção, depois que o presidente Fernando Henrique Cardoso confessou em entrevista à revista "Época" ter sido "um erro" nomeá-lo pode ser adiada por conta de um temporal. A chuva forte que caiu em Florianópolis, no início da noite de ontem (06), impediu o pouso do vôo 933 da Varig, que levaria o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), ao Rio. O senador alega ter perdido aí a conexão que lhe permitiria integrar a comitiva presidencial que partiu hoje cedo para Lisboa. Com isso, fica suspensa a conversa sobre a permanência ou não de Greca no governo que, mais do que obrigatória, acabaria inevitável durante as nove horas de vôo. Seria praticamente impossível não tocar neste assunto, sobretudo porque Bornhausen declarou, em resposta às críticas presidenciais, que considera "normal" a dispensa do ministro, caso Fernando Henrique não esteja satisfeito com ele. Isso, desde que respeitado o quinhão do PFL na Esplanada dos Ministérios e a composição de forças regionais do partido. Bornhausen insiste em dizer que fez o que pôde para alcançar a comitiva rumo a Lisboa, mas não é bem assim. Ele tinha a alternativa de embarcar em outro vôo regular para São Paulo, onde pegaria uma conexão que, efetivamente, pousou no Rio à 0h20 de hoje. Tempo mais que suficiente para alcançar o avião presidencial, que partiu às 9 horas de hoje. Havia vagas de sobra nos dois vôos, mas ele preferiu voltar para casa e desistir da comitiva presidencial. A prova de que a conversa não era da conveniência dos dois está no fato de o presidente não ter trocado uma só palavra com Greca durante os quatro dias em que passou na Restinga da Marambaia, no litoral do Rio. Fernando Henrique nem recebeu Greca ontem, na residência da Gávea Pequena, onde pernoitou antes de viajar para Portugal. Preferiu mandar um recado, por meio do porta-voz Georges Lamazire de que o ministro faria parte da comitiva para pôr fim aos rumores de que Greca teria desistido de participar dos festejos do descobrimento em Lisboa. Na verdade, o PFL não pleiteou o ministério de Greca porque ele nem sequer existia antes da reforma ministerial. A pasta foi remodelada, agregando o turismo ao esporte, depois de o presidente ter decidido que Greca participaria da equipe. Ele era a opção pefelista para a Cultura, mas o que o partido queria mesmo era o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ou a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz. A lista de "ministeriáveis" do PFL do Centro-Sul fica, na verdade, restrita ao Paraná, que é o único Estado da região comandado por um pefelista, o governador Jaime Lerner. Na época da reforma ministerial, também foram cogitados o deputado Affonso Camargo, o atual prefeito de Curitiba, Cássio Tanigushi, e o ex-governador João Elysio. O Planalto, por sua vez, também não está interessado em demitir o ministro que coordena os festejos dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Pelo menos não antes de encerrada a festa, em 26 de abril. Tanto que um dos ministros mais próximos do presidente conta que o chefe não repetiria "o escorregão" das críticas a Greca, se pudesse voltar atrás. A idéia de ganhar tempo e evitar o assunto demissão também agrada a Greca. O ministro confidenciou a um amigo estar "muito confiante" de que vai superar as dificuldades durante a viagem. "Não é nesse episódio que o Greca sai do governo", opina o interlocutor com trânsito no Planalto, certo de que o ministro venceu as 48 horas mais críticas. "Vamos admitir que o estado dele ainda é grave, mas o fato é que Greca já saiu da UTI", avalia o mesmo informante. Bornhausen é outro que acredita no bom desempenho do ministro nesta viagem. "Não tenho dúvidas de que o Greca fará sucesso nas festas em que comparecer, com seus discursos", aposta o senador. "Os portugueses vão adorar."

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