Temporada de verão abre vagas no litoral
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de dezembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Esse fim de semana abre a temporada alta de verão no litoral do Paraná. Com ela crescem as oportunidades de emprego temporário no setor de turismo e prestação de serviços nos sete municípios litorâneos do Estado. A estimativa é que sejam abertas pelo menos 10 mil vagas entre trabalhadores ambulantes, garçons e funcionários de hotéis. Mas o litoral não vem sendo uma boa alternativa para trabalhadores do interior do Estado que pretendem ganhar dinheiro extra na praia.
O problema é que devido ao elevado índice de desemprego na região, os empregos temporários são ocupados em grande parte pelos próprios moradores da região. Eles não agregam grandes valores para a economia local. A temporada acaba tendo a função de amenizar a crise econômica da população litorânea. A preferência para vagas em trabalho ambulante é dos moradores do próprio município. O que resta são postos de trabalho na área de turismo que exigem formação especializada.
Para o presidente da Câmara do Comércio Varejista da Associação Comercial e Industrial do Paraná, Yahia Hamud, a situação poderia ser melhor. Se tivéssemos uma temporada maior e alternativas de trabalho para a população fixa nos outros meses do ano, os reflexos econômicos positivos dos veranistas seriam maiores, afirma.
Além de ter um dos menores litorais para veranistas, com apenas 28 quilômetros de faixa de balneários, o Paraná possui um período curto de temporada. Enquanto o litoral da Bahia tem 8 meses de alta temporada e 4 de baixa, no Paraná acontece o contrário, afirma Hamud. Além disso, aqui ainda há poucos investimentos públicos e privados para melhorar a infra-estrutura de atendimento aos veranistas.
Os sete municípios litorâneos do Paraná têm 300 mil habitantes. Desses, 160 mil moram em Paranaguá. Em julho desse ano a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio registrou 11% de taxa de desemprego na cidade. A privatização e modernização portuária reduziram muitos postos de trabalho e esses trabalhadores precisam de qualificação para trabalhar com turismo. Como Paranaguá não tem balneário, após o Natal, quando são fechados os postos de trabalho temporários do comércio, os trabalhadores migram para cidades vizinhas.
O empresário Jonny Basso, proprietário do Café Curaçao, vai abrir pelo segundo ano o Curaçao em Guaratuba durante a temporada. O bar entrou em funcionamento nesse fim de semana e continuará até o fim de fevereiro. Ele vai gerar entre 60 e 110 empregos diretos durante os próximos dois meses. Cerca de 70% dos funcionários moram no próprio litoral, uma pequena parte é de Curitiba, explica o empresário.
Ele também alerta para a crise econômica dos municípios litorâneos. É assustador a falta de recursos das pessoas fora de temporada, o pior é que muitos deles não têm capacitação para trabalhar em bares. Por esse motivo é que empresários do setor de bares e restaurantes tem que importar funcionários de outras regiões.
O barman Adir Aparecido dos Santos, 24, funcionário do Café Curaçao é um exemplo. Ele trabalha em Curitiba durante todo o ano. Durante o verão Adir trabalha no bar em Guaratuba. Para mim é unir o útil ao agravável porque gosto da praia e de trabalhar na noite. O barman conta que os empresários precisam levar os funcionários para trabalhar no litoral porque não há trabalhadores especializados no local. Para garçom, por exemplo, abrem muitas vagas e não existe gente capacitada para trabalhar.


