A massa de ar seco e quente que atinge as regiões Norte e Noroeste do Estado vai permanecer e até se agravar nos próximos dias, favorecendo os focos de incêndio. Ontem os moradores do Conjunto Milton Gavetti (Zona Norte de Londrina) enfrentaram horas de sofrimento com o fogo que tomou conta de uma grande área próxima ao terminal de transporte urbano do bairro. O incêndio começou logo após o almoço e por volta das 16 horas ainda havia vários focos de fumaça no local.
''Trabalho aqui há oito anos e sempre que o mato fica alto colocam fogo. Nestes últimos anos já tive crises de rinite, bronquite asmática e sinusite, provavelmente causadas pela soma da fumaça destes incêndios com a poluição dos ônibus'', afirmou a vendedora de sonhos Marta Peruci. A auxiliar de cozinha Ingrid Pennas, vizinha do terreno, confirmou que os incêndios no terreno são constantes. Os transtornos, segundo ela, são grandes. ''Não dá nem para respirar por causa da fumaça e a casa enche de fuligem. Às vezes fica a noite inteira queimando.''
De acordo com o meteorologista Marcelo Brauer, do Instituto Tecnológico Simepar, a umidade do ar deve continuar caindo e não há previsão de chuva na próxima semana. Ontem o índice de umidade registrado no Noroeste, onde a situação é mais preocupante, estava entre 30% e 35%. ''Abaixo de 30% já é prejudicial à saúde e exige cuidados extras, como evitar exposição prolongada ao sol e hidratação constante.''
Por causa do tempo seco o Corpo de Bombeiros de Maringá tem recebido de cinco a seis chamadas diárias para atender focos de incêndios, a maioria na área urbana. Em Londrina, segundo o sargento Cesar Nunes de Azevedo, houve várias ocorrências nos últimos dias, mas equipes só são deslocadas para o local quando a área é muito grande ou oferece riscos de propagação do fogo. Para controlar o incêndio de ontem foram usados cerca de 20 mil litros de água. O sargento faz um alerta quanto à presença de crianças perto de terrenos com mato, pois ''fazer fogueira'' é uma de suas brincadeiras prediletas.

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