Curitiba - Paulo Henrique Gorgatti Zarbin, que atua no Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR), depende da importação de equipamentos e de reagentes para desenvolver suas pesquisas, que são voltadas à interação entre as espécies. ''O foco são os insetos. O objetivo é o controle de pragas sem o uso de inseticidas'', explica Zarbin, que é presidente da International Society of Chemical Ecology.
Ele ressalta que 90% dos materiais que utiliza são importados e que o tempo de espera varia entre três e seis meses. ''Durante esse período a pesquisa fica parada. Na semana passada, recebi um equipamento que veio do Japão. Precisei esperar seis meses para tê-lo em mãos'', conta.
Segundo Zarbin, o material demora para ser liberado no aeroporto, pois toda a documentação do processo é checada até que se comprove que não há nenhuma ilegalidade envolvida. Ele acredita que o novo sistema vai realmente tornar a liberação mais rápida. ''O modelo é válido, mas não diminui a demora dos trâmites da solicitação do material, que exige o preenchimento de inúmeros formulários, cotação de preços, entre outros procedimentos. Muitos pesquisadores perdem 50% do tempo com trâmites administrativos e burocráticos'', pontua.
Para Carla Simone Pavanelli, curadora da coleção ictiológica (ramo da zoologia voltado ao estudo dos peixes) do Núcleo de Pesquisas em Limnologia Ictiologia e Aquicultura da Universidade Estadual de Maringá (Nupélia/UEM), a maior dificuldade é quando existe a necessidade de transportar materiais para serem examinados em outros países. ''Falta uma legislação mais clara no que diz respeito ao transporte de materiais para pesquisa'', reivindica.(P.C.B.)

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