o Brasil caminha para a chamada "europeização do desemprego", um cenário em que a taxa pode até cair, mas o período de recolocação do trabalhador cresce. O economista alerta que o arcabouço institucional do seguro-desemprego precisa se adaptar ao novo contexto. Mudanças como as que ocorreram em 1998, quando o governo pagou parcelas adicionais do seguro para os desempregados com mais de 30 anos e sem trabalho há 12 meses. "A intenção era pegar os principais provedores de renda dos domicílios e melhorar o foco da política de combate a probreza no País", analisa. A consultora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Shyrlene Ramos de Souza observa que o brasileiro está enfrentando muita dificuldades para voltar ao mercado de trabalho. "Só os mais bem preparados conseguem colocação rápida atualmente." Apesar da redução na taxa de desemprego nos últimos meses, destaca, o quadro não se refletiu em períodos mais curtos de procura por trabalho para o brasileiro. "São fatores sazonais e que não alteram a tendência", sentencia. A pesquisa do IBGE revela que os empregados paulistas são os que mais precisam de paciência na luta por um novo emprego. Eles levam em média 26,06 semanas para encontrar uma colocação no mercado, enquanto os mineiros conseguem trabalho na metade do tempo, em apenas 13,47 semanas. A situação no Rio de Janeiro é parecida com a paulista. O carioca precisa procurar 23,55 semanas antes de obter novamente um trabalho. O aumento na duração do desemprego no País é uma questão preocupante para a consultora do IBGE. Ela lembra que a metodologia de cálculo do instituto não faz diferença entre o emprego formal, informal ou o chamado "bico". "Fica de fora da taxa de desemprego as pessoas que tenham trabalho de qualquer maneira no período de coleta", afirma. Já os dados de janeiro do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) apontam para um cenário ainda mais tenebroso para o trabalhador brasileiro. A instituição não exclui dos cálculos os brasileiros que em busca de um novo emprego realizaram biscate no período de sondagem. A pesquisa mostra que em um ano, o prazo médio do desemprego cresceu de 37 para 54 semanas.Por Mônica Ciarelli Rio, 25 (AE) - O mercado de trabalho é um sonho cada vez mais distante para o brasileiro que perdeu o emprego. Um estudo do economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargar (FGV), revela um crescimento expressivo do tempo médio gasto pelo trabalhador em busca de uma nova colocação nos últimos anos. Em 1999, o prazo superou os seis meses, cerca de cinco semanas a mais do que quando o Plano Real foi lançado em 1994. "O desemprego de longa duração foi intensificado pela Crise Asiática e continua a se aprofundar", explica Neri. Segundo ele

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