A Igreja Universal do Reino de Deus funcionava de forma irregular no prédio cujo telhado desabou parcialmente sábado em Osasco, na Grande São Paulo, matando 24 fiéis. A igreja não possui o alvará de funcionamento, que deveria ter sido fornecido pela prefeitura da cidade após a realização de uma vistoria técnica de segurança.
No caso desse prédio, o alvará e a liberação pela prefeitura deveriam prever especificamente as atividades de uma igreja como cultos e grande fluxo de pessoas. A informação foi confirmada ontem à Agência Folha por funcionários do departamento da Prefeitura de Osasco responsável por obras. Questionado pela reportagem se a igreja teria o alvará de funcionamento, o secretário dos Negócios Jurídicos de Osasco, Cleber Amâncio Costa, desconversou.
‘‘Não dá para falar especificamente sobre nenhum documento. O prédio é antigo e estamos tendo de levantar uma vasta documentação em três departamentos da prefeitura. Esses documentos serão entregues às autoridades competentes até quinta-feira’’, afirmou. No sábado, o prefeito de Osasco, Silas Bortolosso, que é evangélico, mostrou documentos para tentar provar que o templo estava funcionando legalmente.
Ele apresentou um laudo de segurança assinado pelo engenheiro Roberto Tognato, filho do proprietário da Galeria Glamour (a igreja aluga uma parte da galeria), e um atestado de segurança do Corpo de Bombeiros. O laudo apresentado trata da galeria, mas não contempla o funcionamento de um templo. ‘‘O locatário (a igreja) teria de ter um laudo próprio prevendo o uso que daria para o espaço. Se tem, eu não sei’’, afirmou o advogado da galeria, Alfredo Saulo Kroger.
O atestado dos bombeiros mostra apenas que a galeria possui os equipamentos de combate a incêndio necessários. O prefeito apresentou também um laudo particular de segurança assinado pelo arquiteto Humberto Luiz Mininel. O laudo atesta apenas a segurança de dois cinemas existentes na galeria. Os cinemas, inclusive, possuem telhados independentes do da igreja. ‘‘Eles estão mostrando o meu laudo para justificar a segurança de toda a galeria pois não possuem o atestado da igreja’’, afirmou o arquiteto.
Mininel foi funcionário da prefeitura de 1989 a 1992, ano em que interditou a galeria por falta de segurança. ‘‘A área do templo, onde na época havia um cinema, não possuía saídas de emergência, tinha fiação exposta e problemas no teto’’, disse. Ele afirmou não saber se os problemas foram corrigidos.
Os líderes da Igreja Universal não foram localizados para comentar a falta de alvará. Em Brasília, a secretária do bispo Carlos Rodrigues - coordenador político da entidade - informou que as informações sobre Osasco deveriam ser obtidas na sede da igreja no Brás (centro). Feito contato com a sede nesse bairro, a reportagem foi encaminhada para o jornal da igreja, a ‘‘Folha Universal’’, onde foi fornecido o telefone do pastor Delmar. Esse telefone, porém, não atendeu às ligações entre 17 e 19 horas.
O Ministério Público do Estado nomeou ontem cinco promotoras de Osasco para acompanhar o inquérito policial. Foram indicadas as promotoras Renata Rodrigues, Maria de Fátima Rodrigues Pereira, Maria Teresa Penteado de Moraes Godoy e Cláudia Ferreira MacDowell.

mockup