Tempestades provocam desabamentos e alagamentos em São José dos Campos
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 11 (AE) - Duas tempestades em menos de 24 horas provocaram ontem (10) o desabamento de uma casa e dois barracos, alagamentos e abriram buracos em avenidas da zona sul de São José dos Campos, a 90 quilômetros de São Paulo. A pior delas começou no final da tarde e intensificou-se entre as 19h e 20h30. Vários bairros ficaram ilhados, dezenas de casas e duas escolas foram alagadas, a enxurrada arrastou três carros e abriu duas crateras enormes, interromperam o trânsito em avenidas na zona sul.Não houve feridos.
Hoje (11) pela manhã o prefeito Emanuel Fernandes (PSDB) e secretários visitaram vários pontos atingidos no município. Ainda não há uma previsão sobre os prejuízos. A outra tempestade foi por volta das duas horas da madrugada de quinta-feira. Em 50 minutos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 160 raios. Verificou-se apenas alguns pontos de alagamento e o transbordamento de córregos urbanos.
A chuva do fim da tarde da quarta-feira transformou-se numa das piores tempestades da última década. A precipitação mais intensa durou quase duas horas e inundou toda a Avenida Jorge Zarur, que liga o centro ao anel viário. Parte do estacionamento do Shopping Colinas ficou inundado, dezenas carros que trafegavam pela região ficaram submersos.
A passagem do ribeirão Sinhorinha sob a Avenida Guadalupe, na zona sul, foi completamente destruída. A enorme pressão das águas nos dutos acabou abrindo uma cratera de 30 metros de diâmetro. Três carros que passavam pelo local foram arrastados por mais de 150 metros córrego adentro. Os motoristas conseguiram deixar os automóveis.
A Secretaria Municipal de Transportes não tem previsão para a retomada do trânsito de veículos no local. Não sabemos ainda se vamos refazer a passagem ou construir uma ponte no lugar, disse o secretário de Transportes, Dario Rais. Funcionários da prefeitura trabalham no conserto da rede de água
de esgotos e telefônica.
Desabamentos - Na favela Salinas, no Jardim Satélite, dois barracos desabaram e quatro outros estão parcialmente destruídos. Uma casa caiu na rua Lira. A Defesa Civil informou que há vários desalojados, mas não houve registro de vítimas fatais até o momento. Os voluntários do órgão estão vistoriando as favelas e moradias em áreas de risco do município.
A ponte sobre o ribeirão do Vidoca, nas proximidades do clube Thermas do Vale, sofreu avarias com o volume de água. O local é acesso à Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e do bairro Urbanova. Cerca de mil veículos de moradores e estudantes ficaram presos até a 1h40 da madrugada de hoje (11) aguardando o escoamento da água. O nível do córrego neste ponto, segundo a Defesa Civil, chegou a três metros e a ponte ficou interditada até o final da manhã.


