Tempestade solar tem ápice hoje
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de junho de 2000
Júlio Ottoboni Agência Estado De São José dos Campos 
Uma onda de choque solar atingiu a Terra por volta das 5h30 (horário de Brasília) de ontem a uma velocidade de 800 quilômetros por segundo. Esse fenômeno precede a tempestade solar, provocada pelo encontro das partículas ejetadas da corona do Sol com a atmosfera terrestre. O violento choque de material energizado terá seu ápice entre a madrugada e o final da manhã desta sexta-feira.
Os cientistas acreditam que o evento será superintenso. A tempestade solar pode danificar e até derrubar satélites, além de provocar possíveis blecautes de energia e nas comunicações. O Laboratório de Clima Espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, é um dos principais parceiros do Laboratório de Jato Propulsão (JPL), da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), dos Estados Unidos. São parceiros no estudo da atividade máxima solar, que provoca a emissão no espaço de grandes quantidades de massa existente nas bordas do Sol.
São explosões fortíssimas, que lançam bilhões de partículas de energia. Ao se aproximar do Planeta, essa onda empurra a magnotosfera terrestre. O efeito de comprimir as camadas da atmosfera da Terra aumenta a densidade e temperatura principalmente da ionosfera. A distância entre o limite da atmosfera cai pela metade, atingindo a faixa de 30 mil quilômetros, onde se situam as órbitas dos satélites geoestacionários.
A tempestade cria um efeito de arrasto e de bombardeamento de energia. Os equipamentos são deslocados no espaço e têm seus sistemas eletrônicos danificados. O primeiro sinal da força desta máxima solar veio em abril deste ano. Essa tempestade poderá ser a mais forte dos últimos 30 anos, comenta o chefe do laboratório do Inpe, Walter Gonzales.
O cientista alerta para a ocorrência de queda dos pequenos satélites, situados até 500 quilômetros da superfície, e ainda os riscos vividos pela estação espacial russa MIR e pelo telescópio espacial Hubble. Segundo Gonzales, o nível de combustível dos foguetes que corrigem as órbitas e a posição destes aparelhos no espaço está baixo e conforme a magnitude da tempestade, terão uma instabilidade orbital difícil de ser controlada. Com o aquecimento e aumento da densidade da atmosfera o atrito é maior e perturba a órbita, criando uma espiral que pode levar à queda dos equipamentos, explica.


