São Paulo, 22 (AE) - A primeira grande tempestade solar da série esperada para este ano - que marca o ponto culminante do ciclo de atividade do Sol, que dura onze anos - passou pela Terra sem causar danos.
Uma gigantesca onda de gás ultraquente, expelida pelo Sol no fenômeno conhecido como Ejeção de Massa Coronal (de "corona", ou coroa, a camada mais externa do globo solar), foi refletida de volta ao espaço pela magnetosfera da Terra quatro horas depois de chegar ao nosso planeta, no último dia 20, e partiu sem causar qualquer incômodo, informam cientistas.
Este foi, no entanto, apenas o primeiro "ataque" do Sol à Terra, neste novo "máximo solar", como o pico do ciclo de onze anos é conhecido. Novas ejeções de massa são esperadas ainda esta semana. Esses fenômenos podem interagir com a magnetosfera - a região do espaço influenciada pelo campo magnético terrestre - e causar auroras boreais ou austrais intensas.
Caso as tempestades do Sol penetrem o escudo magnético da Terra, o "vazamento" de radiação poderá danificar equipamentos elétricos e eletrônicos, satélites artificiais, redes de telecomunicação e de distribuição de energia. Tempestades solares podem afetar até o senso de direção de pombos-correios, e uma delas foi responsável por um blecaute no Canadá, durante o último "máximo solar".
Espera-se que este máximo solar seja um dos mais intensos dos últimos 130 anos, embora não deva se comparar à verdadeira tempestade sideral de 1958, quando foram avistadas mais de 200 manchas solares. No máximo de 1989, além do blecaute na província canadense de Quebec, o "ciclone solar" que chegou à Terra, no mês de março, causou problemas nas comunicações da Marinha dos EUA; em Toronto, também no Canadá, alarmes residenciais passaram a disparar em massa; na Europa, os moradores de Estocolmo (Suécia) viram suas luzes elétricas piscarem por alguns momentos, e um avião Concorde que cruzava o Atlântico teve sua rota alterada, para não expor os passageiros aos violentos raios gama emanados pela irrupção do Sol. Além disso, a acomodação da atmosfera da Terra - que se expandiu por alguns momentos, absorvendo a onda de calor - fez com que alguns satélites saíssem de suas órbitas corretas.
O máximo solar deverá durar pelos próximos meses, mas há a possibilidade de que a atividade do Sol permaneça em um grau exacerbado até 2005. Embora venham sendo observadas desde a Antiguidade - há o caso de uma legião romana que, no ano 34 dC, confundiu uma aurora intensa, causada pelo Sol, com o incêndio de uma cidade -, as tempestades do Sol só passaram a ser realmente vistas como um problema para a humanidade na medida em que cresceu nossa dependência do uso de redes elétricas e de equipamentos de telecomunicação. Com o surgimento do telégrafo e, depois, do rádio e do radar, a vulnerabilidade da civilização aos ciclos do Sol foi se tornando cada vez maior, e às vezes em situações de extrema emergência: por algum tempo, tempestades solares confundiram os radares da defesa anti-aérea britânica, durante a 2ª Guerra Mundial.
Mas os danos causados por tempestades solares não se limitam aos sistemas que dependem de tecnologia: pombos-correios, golfinhos e baleias têm o senso de orientação afetado; a camada de ozônio também sofre. Há, ainda, estudos sobre efeitos do fenômeno no ciclo vital dos vegetais e no próprio clima da Terra.
Diversos cientistas, em todo o mundo, estão monitorando as atividades do Sol neste máximo solar. Caso uma onde de choque de proporções assustadoras seja emitida em direção à Terra, uma alerta será emitido algumas horas antes que o gás hiper-aquecido e radioativo chegue ao planeta. Na Internet, o principal site para acompanhamento da atividade solar é o Space Weather (literalmente, "clima espacial"), em http://www.spaceweather.com.

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