A tempestade solar que chegaria ontem, por volta do meio-dia (horário de Brasília) à Terra sofreu um atraso em seu choque com a magnetosfera terrestre e deve atingir o Planeta na madrugada de hoje. A onda de choque que acompanha o fenômeno, atingirá as camadas mais altas da atmosfera do Planeta quase nove horas depois do que o previsto pelos cientistas. No trajeto entre o Sol e a Terra, a massa de partículas energéticas encontrou uma barreira que forçou uma redução de velocidade.
Segundo o chefe do laboratório de clima espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Walter Gonzales, o atraso na tempestade deve-se ao encontro do material ejetado da corona do Sol com uma corrente circular também formada por partículas solares em torno do astro, conhecida no meio científico como ‘‘folha interplanetária’’. Isto teria diminuído de 900 para 700 quilômetros por segundo a velocidade rumo à Terra.
A fase principal da tempestade demora de 3 a 10 horas. O pico do fenômeno deverá ocorrer durante madrugada e pode durar até a manhã de hoje. Caso as partículas passem tangencialmente à Terra o impacto será menor. Gonzales, que também é consultor da Administração Nacional de Espaço e Aeronáutica (Nasa), dos Estados Unidos, disse que as explosões ocorridas ontem são menores do que as do começo da semana. A ejeção de material energizado no espaço foi menor e, caso venha em direção ao Planeta, o impacto será pequeno e sem provocar danos. ‘‘É o que chamamos de uma tempestade magnética fraca e não traz grandes riscos’’, afirma o pesquisador.
Uma tempestade solar de grandes proporções pode provocar uma alteração na densidade da atmosfera da Terra, com risco de perda de satélites por queda ou instabilidade orbital. Outro problema nos satélites artificiais é a queima dos dispositivos eletrônicos. Já na superfície podem ocorrer blecautes sobre carga na redes elétricas, perda de comunicação e panes em sistemas orientados por satélites.

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