Tempestade provoca caos em SP; uma pessoa morreu em Guarulhos
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Gláucia Leal e Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 11 (AE) - As margens do Rio Tietê, em São Paulo amanheceram hoje parecendo um grande estacionamento, lotado de veículos, no sentido Lapa-Penha. Essa, porém, não foi a única consequência da tempestade da madrugada, na capital. Quinze bairros foram atingidos e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 70 pontos de alagamentos, sendo 50 intransitáveis. Cerca de 100 carros passaram a noite submersos, entre as pontes das Vila Maria e Tatuapé. Pela manhã, 3 mil pessoas ficaram presas no Terminal Rodoviário do Tietê.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, uma pessoa morreu e houve alagamentos em 32 bairros. O prefeito, Jovino Cândido, pretende remover as famílias que vivem em áreas de risco nos próximos dias. Ele quer contratar, em caráter de emergência, 500 funcionários para auxiliar no trabalho de limpeza das regiões afetadas.
Para chegar ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, tripulações da TAM e Varig precisaram embarcar em aviões, no Aeroporto de Congonhas, na zona sul, que os levaram até Guarulhos. Sem essa facilidade, muita gente foi obrigada a passar a noite dentro dos carros, presos na água.
Durante toda a manhã, ainda era possível observar os efeitos da tempestade. Ínibus atrasaram porque não puderam sair das garagens. O pico de congestionamento, recorde do ano, atingiu 103 quilômetros às 9 horas.
A Defesa Civil do Município de São Paulo não registrou feridos ou desabrigados, mas várias casas foram invadidas pelas águas, principalmente nos bairros de Vila Maria, Vila Guilherme e Jardim Pantanal. No Campo de Marte, os hangares ficaram alagados.
Das 15 horas de quarta-feira até o mesmo horário de hoje, o Corpo de Bombeiros recebeu 30 chamados para retirar pessoas presas em carros e casas. Ao todo, foram atendidas 78 ocorrências por causa da chuva, em São Paulo. A pior noite - "Esta foi a pior noite dos últimos três anos nas zonas norte e leste", avaliou o coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil, capitão Danilo Antão Fernandes. Segundo o presidente do órgão, tenente-coronel Osvaldo de Barros Júnior, 2.128 homens foram destacados para atender a população.
Entre as 19 horas de quarta e o meio-dia de hoje, a Defesa Civil recebeu mil ligações referentes à chuva. "Entramos em estado de alerta por volta da meia-noite", contou Fernandes. "Já tínhamos cestas básicas, cobertores e colchonetes reservados, mas não houve necessidade de distribuí-los". Lama - Na Vila Guilherme, na zona norte, a Rua Coronel Marques Ribeiro Lima transformou-se em um rio. Desanimados, alguns moradores relutavam em entrar nas casas para avaliar os prejuízos. Apenas as crianças aproveitavam o acúmulo, brincando em piscinas improvisadas. Para limpar a lama que ficou pelas ruas e, principalmente, na Marginal do Tietê, a Secretaria das Administrações Regionais destacou 700 homens - entre engenheiros, técnicos e trabalhadores braçais. Vários foram deslocados de outras atividades para participar da limpeza.
A lavagem, raspagem e retirada da lama começou nas primeiras horas do dia e até o fim da tarde não havia sido concluída.


