Foi plantada em Londrina a primeira semente de uma experiência colaborativa que pretende integrar as pessoas com a terra e com uma vida mais saudável. Um grupo de pessoas, que se encontrou pelo Facebook, realizou ontem um mutirão para fazer uma horta de temperos às margens do Lago Igapó, na Rua Professor Joaquim de Matos Barreto. Hoje, a partir das 9 horas, o grupo vai concluir o trabalho, pintando as cercas em volta das mudas, e finalizar com um piquenique.
A implantação de hortas comunitárias vem crescendo. Até a famosa Avenida Paulista, em São Paulo, tem um canteiro dedicado para hortaliças e temperos, mantido pela comunidade. Por aqui, a ideia surgiu da experiência da professora Valéria Farhat, que mora em São Paulo, e há três anos vem construindo hortas em espaços públicos como praças e calçadas.
A proposta do grupo é que tudo seja de forma colaborativa. O grupo arrecadou dinheiro para trazer Valéria para Londrina, conseguiu hospedagem solidária e montou um evento no Facebook convidando as pessoas a participarem da iniciativa. Em torno de 50 pessoas confirmaram interesse em participar.
Durante a semana, eles conseguiram doações de mudas de tempero e caixotes de madeira que se transformaram em cercas para proteger as mudas. "Você pode usar a terra e o lugar público para plantar e trazer as pessoas para trabalharem juntas. A ideia é que as pessoas possam pegar os temperos e trazer outras mudas e plantar aqui", explicou Valéria.
Valéria enfatizou que esses espaços congregam as pessoas que em outras circunstâncias talvez não se conheceriam. Além do evento no Facebook, a iniciativa está fomentando a criação do grupo Hortelões Urbanos de Londrina, que pretende reunir as pessoas que simpatizam e querem colaborar com a horta comunitária.
A jornalista e cozinheira Silvia Sitta é uma entusiasta quando o assunto é horta. "Uma das melhores coisas que existe é você ver algo nascer. Em casa, tudo que tem semente eu jogo na terra. Recentemente, descobri que nasceu um pé de melão", contou a jornalista, que encabeça o movimento em Londrina.
Para o estudante de Psicologia Armenio Manuel Mendes Pimenta, de 57 anos, movimentos como este podem mudar a forma das pessoas se relacionarem com a terra. Ele morou 21 anos na Alemanha e contou que lá existem ao longo das rodovias pequenas estufas que as pessoas da área urbana alugam para plantar. "Achei interessante. Eles não têm terra para plantar, então alugam esses espaços. Aqui em Londrina tem tanto pedaço de terra e ninguém cultiva. Por que não valorizamos isso? A mudança começa pelo pequeno", sugeriu.

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