Temperatura aumenta de 1 a 2 graus em 4 décadas
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Mais de 120 chefes de Estado e outras lideranças mundiais participam de hoje a 22 de junho da Rio+20, considerada a maior conferência do planeta sobre preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e economia verde. O aquecimento global é um dos principais temas em pauta. Seguidos estudos alertam sobre o aumento da temperatura na Terra, mas é raro encontrar levantamentos regionais sobre o assunto. Até porque, para obter dados minimamente confiáveis, são necessárias algumas décadas de análises.
E é examente isso que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) faz há cerca de 40 anos. Todos os dias, às 9, 15 e 21 horas, técnicos do órgão recolhem dados sobre a temperatura, entre outros aspectos climáticos, nas estações meteorológicas de Londrina e de outras 20 localidades do Estado. E é com base nesses números que o agrometeorologista Paulo Henrique Caramori, 35 anos de Iapar, afirma que a temperatura mínima em Londrina vem apresentando tendência de aumento de 1 a 2 graus. Os dados são de 1961 a 2010. Para ele, esse resultado deve servir de alerta. ''É uma luz amarela e a tendência é mesma no restante do Estado'', afirma.
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU projeta seis cenários possíveis para o final deste século. O mais pessimista aponta que a temperatura média do planeta aumentará entre 1,8 e 4 graus, com a possibilidade de atingir um extremo de 5,8 graus. Segundo o IPCC, a temperatura média no planeta subiu cerca de 0,7 grau ao longo do século 20 e o aquecimento se intensificou nos últimos 25 anos.
Caramori explica que o aumento na temperatura mínima significa que as noites estão mais quentes no Estado. Em relação à temperatura média, houve um aumento de 0,8 grau nas últimas décadas. Já a temperatura máxima aumentou 0,3 grau em Londrina. ''Isso significa que o aumento na temperatura média é por causa da elevação na temperatura mínima, que é registrada por volta das 5 e 6 horas da manhã'', explica.
Conforme Caramori, o aumento na temperatura mínima em território paranaense se deve principalmente à mudança no uso do solo. ''A ocupação do Estado é muito recente. Até a década de 1940 grande parte era floresta. Com o desmatamento essa cobertura florestal praticamente acabou, restando alguns parques, além da Mata Atlântica.'' O agrometeorologista acrescenta que a liberação de gases, principalmente C02, também contribui para o aumento da temperatura.
O problema ocorre porque as florestas funcionam como filtros de calor. ''A superfície de solos descobertos pode chegar a até 50 graus em dias quentes, mas em locais com cobertura a temperatura não ultrapassa 25 graus'', garante. Como o desmatamento provoca maior absorção pelo solo, ''esse calor que é absorvido durante o dia é liberado à noite, tornando a temperatura mínima maior''.
Outro levantamento do Iapar revela que a estação fria tem diminuído no Estado. Conforme o agrometeorologista Wiliam da Silva Rice, de 1969 a 2008 diminuiu em aproximadamente um mês o tempo de frio durante o ano no Estado. ''Árvores que floresciam em setembro agora estão florescendo em agosto.''
Conforme os dados do Iapar, a média de chuva permanece praticamente inalterada nas últimas quatro décadas no Estado. De acordo com Caramori, com aumento da temperatura mínima e as chuvas mantendo a mesma média, uma consequência natural é um maior risco de secas. ''Durante a noite, com o aumento do aquecimento, aumenta a evaporação, o que pode provocar efeitos mais drásticos (de seca)'', explica.
Caramori diz que não está otimista em relação aos resultados da Rio+20. ''A gente não pode ter ilusão de que vai se resolver. O próprio Protocolo de Kyoto (assinado em 1997) não foi cumprido. As emissões de CO2 até aumentaram'', lembra. Ele classifica o evento como ''político'', mas acredita que ainda assim poder gerar benefícios à causa ambiental.(Com Agência Estado)


