Buenos Aires, 20 (AE) - "Fernández tinha razão". Este foi um dos comentários mais feitos na reunião anual da União Industrial Argentina (UIA), que foi encerrada hoje (20) em Córdoba. O Fernández em questão era Roque Fernández, ministro da Economia, que há duas semanas confidenciou a um grupo de líderes empresariais que o Brasil faria uma grande desvalorização antes do fim do ano.
Javier Tizado, diretor do poderoso e influente Grupo Techint, declarou que "houve uma impressão errada e apressada de que o Brasil havia se recuperado depois da crise do início do ano". De acordo com Tizado, "as desvalorizações menores que continuaram ocorrendo são uma clara evidência disso". Horacio Larré Oroño, presidente da AFAC, associação dos fabricantes de auto-peças, também foi pessimista sobre os efeitos de uma grande desvalorização do real: "Estamos à beira disso. Se ocorrer, a distorção de preços será abismal entre o Brasil e meu país".
Um estudo da Fundação Capital sustenta que novas desvalorizações de destaque poderão ocorrer tendo em vista "que o superávit primário está ao redor de 3% do PIB, os serviços da dívida pública brasileira passam de 8% do PIB, enquanto que as divisas levadas pelo endividamento de curto prazo superam amplamente as reservas". A Fundação alerta que isso poderia aumentar o "risco Mercosul", com "consequências nefastas para a região".
O economista Pedro Lacoste discorda. Ele disse à Agência Estado que não considera que o Brasil esteja a ponto de fazer uma grande desvalorização. "O que marca a depreciação da moeda nesta semana é que há certas inquietudes na área política sobre a fragilidade do governo FHC, e a falta de avanço nas reformas estruturais".
Sobre as declarações do empresário Roberto Rocca, publicadas pelo jornal "Página 12", onde defendia o eventual fim da paridade, Lacoste disse que "elas marcam a temperatura sobre a paridade. O tema era indiscutível há alguns meses, e hoje mudou. Por trás dos comentários de Rocca, há um pedido para reduzir as pressões sobre as indústrias, seja através de redução de impostos, ou do custo argentino".

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