Londrina – O maior centro de compras do interior do Paraná teve um domingo atípico na data em que estava marcado o primeiro rolezinho de shopping em Londrina. As centenas de pessoas que garantiram presença no evento de protesto – que tinha como mote a causa do passe livre para os estudantes e a redução na tarifa do transporte coletivo – não se reuniram no Catuaí Shopping como prometiam, mas algumas medidas preventivas chamaram a atenção dos frequentadores.
Apenas uma das entradas ficou aberta e com forte aparato segurança, o que causou constrangimento e medo para quem ingressava no local. Grande parte do mobiliário e um carro importado exposto em um dos corredores foram retirados preventivamente, o que fez alguns habitués estranharem as mudanças. Um apagão de 40 minutos, que começou por volta das 15h10, agravou o clima de tensão, o que fez muitos desistiram da tarde de lazer ou das compras. Lojistas reclamaram da falta de compradores. Muitas pontos de vendas chegaram a fechar durante o apagão e após o retorno do fornecimento eles foram abrindo aos poucos.
A assessoria de imprensa do shopping informou que no final da tarde de ontem não havia ainda um balanço sobre os prejuízos. Informou ainda que foram tomadas medidas preventivas e que o funcionamento do shopping foi dentro da normalidade, sem a ocorrência de protestos. O centro de compras obteve uma liminar na quinta-feira que proibia o rolezinho. O interdito foi concedido pelo juiz Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, da 2ª Vara Cível do Fórum de Londrina. "Observou-se que em tais episódios o propósito de simples reunião social, expressão de um protesto ou mero entretenimento transformou-se facilmente em correria descontrolada, seguida de pânico daqueles que não integram o movimento, além de atos de vandalismo, furtos, danos à propriedade e risco à ordem pública", disse um trecho da justificativa do juiz.
A lojista Edilene Menon disse à reportagem que pouquíssimas pessoas foram às compras ontem. "Muita gente veio à passeio mas os que estavam com intenção de realmente comprar algo acabou não vindo por causa da preocupação com uma possível baderna". O subgerente de outra loja, Altair de Souza, disse que as vendas caíram 90% e que muitos clientes pediam informação aos atendentes e pareciam assustados. "Talvez a melhor saída tivesse sido o fechamento do shopping neste domingo. Os prejuízos seriam menores".
A fotógrafa Paula Gama, que foi ao local apenas pelo passeio, disse que o aparato de segurança causou mais receio que o próprio rolezinho. "Muita gente pensou que era algo mais grave, um assalto, uma bomba", opinou. O pastor Vanderlei Perugini, morador de Sinop (MT), não visitava o shopping havia muitos anos e foi surpreendido. "Muita loja fechada. Senti um ambiente de tensão e medo", avaliou.
O promotor de vendas Otávio Ramos disse que a forma do protesto "não é bacana". "Inclusão social é algo muito necessário mas não se dá dessa forma", disse, referindo-se aos transtornos que o rolezinho poderia provocar. "Não acho errado protestar, acho errado fazer bagunça", ressaltou o vendedor Gabriel Rigatto. Eles disseram que foram orientados pelos superiores a não ir trabalhar de carro ontem. "Havia medo de depredação", contou Ramos.

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