Temor de ataques do ETA marca fim de campanha eleitoral na Espanha Do enviado especial Reali Júnior9/Mar, 19:02 Madri, 09 (AE) - O terrorismo do grupo separatista basco ETA marca o fim da campanha das eleições legislativas espanholas de domingo. Na reta final, os dois principais partidos, o Partido Popular (PP) de centro-direita e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), hoje liderado por Joaquim Almunia, têm trocado acusações mútuas buscando sensibilizar uma parcela do eleitorado que lhes possa garantir uma maioria simples. Isso porque nenhum deles deverá obter maioria absoluta, pelo menos é o que indicam os institutos de pesquisa, que registram vantagem de dois ou três pontos do PP, do primeiro-ministro José María Aznar, sobre os socialistas. A partir de hoje (09), as forças de segurança e antiterroristas espanholas foram colocadas em estado de alerta diante do temor de que o ETA possa cometer um novo atentado no encerramento da campanha eleitoral. Alvos potenciais do ETA foram advertidos e receberam instruções para tomar precauções, tais como modificar horários e examinar o chassis dos veículos, onde pode ser dissimulada uma carga de explosivos. Uma vitória apertada sobre o PSOE obrigará o primeiro-ministro a renegociar uma aliança com o CiU, o partido do catalão Jordi Pujol que já garantiu nesses últimos quatro anos a maioria parlamentar que deu governabilidade à administração de Aznar. Uma nova aliança com o Partido Nacionalista Basco (PNV), de Xabier Arzalluz, parece hoje uma hipótese afastada pelos dois lados, principalmente após o fim da trégua decretada no fim do ano pelo ETA - que durou um ano e meio, mas que não serviu para por fim ao processo de violência no país. Ainda hoje em Barcelona, Almunia acusou Aznar de irresponsabilidade por ter quebrado o consenso existente entre os partidos políticos de unidade na luta antiterrorista. Três novos assassinatos foram cometidos durante a campanha em Bilbao, San Sebastián e em Madri, entre eles o do deputado socialista Fernando Buesa e seu segurança. Ontem, o ETA reivindicou por meio de um comunicado os três assassinatos, justificando também a lógica de sua ação que consiste em aterrorizar a população às vésperas de um pleito que denuncia como ilegítimo. Hoje, a polícia antiterrorista francesa descobriu uma oficina de fabricação de bombas do ETA no País Basco francês. Uma grande quantidade de explosivos e detonadores foram encontrados na residência alugada por Concepcion Iglesias, conhecida militante do ETA, aumentando o clima de insegurança. Aznar pediu explicações aos socialistas para seus encontros sigilosos com representantes do grupo Herri Batasuna, braço político do ETA que preconiza a "abstenção ativa". Trata-se do boicote das prefeituras governadas pelo grupo político no País Basco de ajudar na organização das mesas eleitorais - entrave às normas legais punido com pena de até 6 meses de prisão e multa de 300.000 pesetas (US$ 1.746). Almunia não desmentiu essas conversas ocorridas após o fim da trégua lembrando que "o importante não é falar, mas sim falar sobre o quê", defendendo a iniciativa de dirigentes socialistas. Em todo caso, ele assumiu o compromisso durante um discurso no Palácio Euskalduna , em Bilbao, capital do País Basco , de que "nunca mais" haverá dialogo entre os socialistas e o ETA, mesmo que o grupo abandone as armas. Apesar dos aplausos, tal declaração provocou um silêncio glacial na sala da reunião socialista. Mas isso não parece ter intimidado Almunia. Segundo ele, não se poderá falar de paz no País Basco enquanto não houver a dissolução do ETA. Para Almunia, só haverá compreensão e medidas generosas para os militantes que renunciarem à luta armada e abandonarem o grupo terrorista, mas, assim mesmo, serão os socialistas que deverão marcar os limites dessa generosidade. De qualquer forma, diante da perspectiva de maioria simples no Parlamento, seja qual for o vencedor das eleições gerais, PP ou PSOE, os dirigentes desses partidos já pensam em uma coalizão que lhes permita governar. Aznar sonha com a renovação de sua aliança de governo com o CiU de Pujol, mas sabe que vai ter de pagar um elevado preço, pois os catalões reivindicam, entre outras coisas, uma redução do déficit público de sua região de pelo menos 400 bilhões de pesetas, o que poderá provocar reações de outras regiões autônomas do país. Quanto aos socialistas, se Almunia ganha as eleições promete iniciar negociações já na segunda feira com todas as forças parlamentares. Ao contrário do pleito anterior, desta vez os socialistas mantem um acordo de governo com os comunistas da I.U., Esquerda Unida, mas que não parece ser suficiente. Seu primeiro secretário só exclui desse diálogo os que não se atrevem a dizer claramente que "o ETA deve se dissolver e desaparecer".

mockup