Temor de alta de juros afeta ações nos Estados Unidos
Nova York, 01 (AE-DOW JONES) - As ações norte-americanas voltaram a ser afetadas, nesta terça-feira (01), pelo temor de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) eleve os juros, para conter pressões inflacionárias.
A divulgação de indicadores da Associação Nacional dos Gerentes de Compras (NAPM), apontando crescimento acelerado da atividade econômica, derrubou as ações de empresas de tecnologia
fazendo o Nasdaq, que concentra os papéis do setor, cair 2,34%, e o Dow Jones recuar 150 pontos no pior momento do dia. Este índice, porém, reverteu a tendência de queda no fim do pregão, para fechar em alta de 36 pontos, ou 0,35%, por conta do desempenho de ações de empresas cujo comportamento está diretamente ligado ao crescimento da economia, como Alcoa e Caterpillar.
Ainda assim, o Dow Jones operou a maior parte do dia em baixa. E, para confirmar o mau desempenho das ações norte-americanas, o Standard & Poors (S&P) 500 caiu 0,58%. Esse índice mostra um panorama mais amplo do mercado acionário nova-iorquino, uma vez que registra a evolução de 500 ações negociadas na Bolsa de Nova York.
Os juros dos T-Bonds, os títulos de 30 anos do Tesouro norte-americano, subiram de 5,83% para 5,93%, atingindo o nível mais alta desde 15 de maio do ano passado.
O temor de uma elevação dos juros básicos norte-americanos aumentou depois que, no dia 18 de maio, o Fed mudou o viés das taxas, de neutro para de alta. Juros altos prejudicam o investimento em ações porque tornam as aplicações de renda fixa mais atraentes, além de aumentar o custo de financiamento das empresas, afetando seus lucros.
Nesta semana serão divulgados outros indicadores econômicos importantes, como o índice de vendas de imóveis residenciais novos, os pedidos de auxílio-desemprego, o de encomendas à indústria e a taxa de desemprego. Se esses dados apontarem a ameaça de aceleração da inflação, o temor de que o Fed vá aumentar os juros crescerá no mercado, que estará atento ao discurso de hoje do presidente da instituição, Alan Greenspan.
A abertura em baixa do Dow Jones prejudicou as principais bolsas européias. A Bolsa de Valores de Paris, que operava em alta antes do início do pregão nova-iorquino, inverteu a mão e passou a cair depois da divulgação dos dados econômicos apontando a ameaça de alta da inflação e fechou em queda de 0 86%. O mercado acionário de Frankfurt caiu 0,96%, afetado pelo mau desempenho do Dow Jones. A Bolsa de Londres, que subia por conta de notícias positivas sobre empresas inglesas, perdeu força depois da abertura da Bolsa de Nova York e fechou em alta de 0,40%.
As bolsas da América Latina também acompanharam o Dow Jones. Os mercados acionários da Cidade do México e de Buenos Aires caíram 0,75% e 0,65%, respectivamente.
Na ásia, a Bolsa de Tóquio fechou em alta de 1,84%, impulsionada pela notícia de que o governo japonês poderá divulgar este mês a suspensão da cobrança de imposto de 5% sobre o consumo, como forma de incentivar a economia do país. A valorização expressiva apurada pelo mercado acionário de Tóquio deu alento à Bolsa de Hong Kong, que subiu 1,78%.





