Temer rejeita pedido de impeachment contra FHC
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 01 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), enviou hoje ao plenário ofício indeferindo o pedido de impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso, feito pela oposição na semana passada, levantando supeita de interferência do presidente no leilão da Telebrás. "Não há nenhuma fundamentação ou razão concreta para um processo de impeachment", afirmou Temer. Este é segundo pedido do gênero arquivado nessa legislatura - o primeiro foi do deputado Milton Temer (PT-RJ), há cerca de um mês.
Em seu despacho, Temer afirmou que, para embasar um pedido de impeachment, a denúncia teria de vir acompanhada por documentos que a comprovem. "As fitas de escuta telefônica (cujos conteúdos foram revelados pela imprensa e originaram o pedido de impeachment) foram clandestinas e ilegais, não servem como prova em processos judiciais", afirmou Temer no texto.
A esquerda protestou, acusando o presidente da Câmara de "falta de coragem" em explicitar sua decisão em plenário. "Não é o primeiro pedido de impeachment arquivado e sem a menor justificativa para a sociedade", disse o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP).
"O comportamento histórico da esquerda é golpista", definiu o líder do governo na Casa, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Para o deputado, com o pedido de impeachment, a oposição só queria "tentar desgastar o governo" e não preocupação em dar explicações à sociedade sobre o assunto. Já o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), foi à tribuna do plenário para criticar a ilegalidade dos grampos.
A oposição deve recorrer do indeferimento. "Vamos esperar até o último dia para recorrer para deixar o assunto mais tempo no ar", disse José Gonoíno. Não foi definido ainda se a oposição vai recorrer à presidência ou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
TELEBRáS - O líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira (RJ), está reunindo assinaturas para tentar abrir uma "CPI mista da Telebrás". São necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. Teixeira não revela quantas assinaturas têm para não gerar "represálias" contra eventuais membros da base governista que quiserem apoiar a CPI. O deputado pedetista deve, ainda esta semana, apresentar um projeto de lei que concede anistia prévia aos que planejaram ou executaram os grampos que revelaram conversas relacionadas à privatização da Telebrás. "A anistia será dada para que possam falar à Polícia Federal, ao Ministério Público, Poder Judiciário e a uma eventual CPI sobre o assunto", explicou Teixeira.


