Temer rebate FHC e diz que momento é de executar
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Eliane Azevedo e Gilse Guedes 
Rio, 30 (AE) - O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), rebateu hoje declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que é necessário fazer reformas para que haja desenvolvimento e emprego. "Agora, é hora de executar; já não se cuida mais de simplesmente legislar", disse Temer. "As reformas já foram feitas e só falta a tributária, para a qual estamos pedindo o apoio do governo."
Temer, que participou hoje da abertura da 17ª Conferência Nacional dos Advogados, no Rio, disse que, depois de aprovada a lei de responsabilidade fiscal, não haverá mais reformas para fazer. "Já votamos a regulamentação da reforma administrativa e
nas próximas semanas, vamos votar as três leis que regulamentam a reforma da Previdência", apontou.
Ele defendeu a permanência do ministro da Fazenda, Pedro Malan, mesmo que o governo dê ouvidos às críticas sobre a política econômica que vêm partindo de sua própria base. "O redirecionamento da economia pode ser feito pelo ministro Malan e não acho que ele tenha de deixar o cargo por causa disso", afirmou Temer.
Para o deputado, Malan fez um bom trabalho na condução da estabilidade da moeda. "Ele, talvez, seja a pessoa mais adequada para fazer a transição para o desenvolvimento, para a proteção à indústria nacional, para o incentivo financeiro à produção e para a assistência à pobreza", enumerou. Temer voltou a endossar a posição do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), que, no final de semana, defendeu a mudança na política econômica. "Nós do PMDB e eu, especialmente, temos falado disso com insistência nas últimas quatro a cinco semanas", lembrou. "Acho que o governo está recebendo um alerta de que a idéia da estabilidade da moeda não é mais suficiente para o País."
O presidente da Câmara disse não acreditar que as críticas de Jereissati e do governador de São Paulo, Mario Covas (PSDB), signifiquem um racha no partido do presidente. "As raízes tucanas e de afeto deles com o presidente são profundas", afirmou.
Mesmo na oposição, ninguém está festejando a posição dos dois governadores do PSDB como uma discordância irreversível. "É cedo para falar em racha", avaliou o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT). O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, aproveitou para ironizar os aliados governistas. "Acho que é bem possível que ele (Jereissati) esteja chamando a atenção do presidente mas, também
num momento em que o barco começa a afundar, aos poucos uns se desvinculam para ver se aparece um bote salva-vidas", disse.
Ele considerou "tímidas" as críticas feitas por Covas. "Ele e o Jereissati são pessoas sérias que deviam, por isso, ter feito há mais tempo as críticas e não ficar concordando com tudo", apontou. "Eles deviam ter sido mais taxativos contra o Fernando Henrique e não permitir que as críticas começassem a ser feitas pelo (presidente do Senado) Antonio Carlos Magalhães."


