Temer pode decidir hoje sobre denúncia da oposição contra FHC
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 27 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), poderá se pronunciar hoje sobre a denúncia apresentada pelos líderes da oposição contra o presidente Fernando Henrique Cardoso por suposto favorecimento ao consórcio liderado pelo Banco Opportunity no leilão da Telebrás. Se aceita
a denúncia pode iniciar um processo de impeachment. A tendência
no entanto, é de arquivamento da denúncia. "Mantenho tudo o que disse ontem (terça-feira) sobre o assunto, mas ainda vou examinar a denúncia, se possível amanhã (hoje)", disse Temer ontem a noite à Agência Estado.
Na terça-feira, ele havia declarado não acreditar que, "por enquanto", fosse necesária "uma atitude tão drástica" como um pedido de impeachment. A resposta de Temer depende de uma avaliação da melhor oportunidade para submeter o assunto ao plenário, já que a apresentação de recurso será inevitável, qualquer que seja a deci são: a oposição recorre em caso de indeferimento, e o governo, em caso de decisão oposta. A votação de um recurso dessa natureza é parte da estratégia de guerrilha da oposição, que quer aproveitar todas as oportunidades para marcar sua posição.
Constrangimento - Aos olhos da oposição, um novo debate sobre um pedido de impeachment do presidente - houve outro, na semana passada, por causa das críticas de Fernando Henrique ao Ministério Público sobre as buscas na casa do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes - seria mais um constrangimento para o governo. Entretanto, os líderes governistas e os da oposição dizem não estar preocupados com a decisão de Temer. "Isso não tem importância nenhuma, é apenas mais uma insanidade da oposição que não vai dar em nada", declara o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
"A estratégia da oposição é de médio e longo prazo, nós vamos para as ruas mobilizar a opinião pública", contrapõe o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP). Embora tentem aparentar tranquilidade, os líderes governistas estão apreensivos. Na avaliação de um deles, a crise será afastada na medida em que a economia se recupere e, consequentemente, melhore a popularidade do presidente Fernando Henrique. Esse líder governista observa sinais de recuperação, como a melhora dos índices de emprego, mas lembra que a política está sujeita ao imponderável.


