São Paulo, 22 (AE) - O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), considera razoável o prazo de 90 dias dado ontem pelos líderes governistas à equipe econômica para que as últimas medidas adotadas pelo governo dêem resultado. "Numa estimativa de tempo razoavelmente curta, as medidas que foram tomadas têm que começar a operar seus efeitos", disse o deputado em São Paulo. "Do contrário, é preciso verificar o que há com a economia do País, pois não podemos ficar um ou dois anos vivendo de sobressaltos", ressaltou. O deputado participou esta manhã da comemoração do primeiro ano de implantação do Código de Trânsito Brasileiro, e foi homenageado pelo prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB).
Temer disse que o Congresso Nacional não pode ser responsabilizado pelo atual momento econômico do País. "O Congresso deu tudo aquilo que foi solicitado para o ajuste fiscal" disse, citando as reformas econômicas, administrativas e a CPMF. Segundo ele, a CPMF deve ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na próxima semana. Depois, o projeto será encaminhado para uma comissão especial. Temer acha possível acelerar a aprovação do imposto sobre cheques. "O relator da comissão especial poderá, depois de dez sessões, dar o seu parecer e colocar o projeto em votação", explicou. O presidente da Câmara ressalvou, entretanto, que o prazo de 90 dias para que a cobrança da nova alíquota da CPMF entre em vigor terá de ser respeitado, uma vez que é constitucional.
Apesar da ameaça do governo federal de dificultar os empréstimos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul no exterior, o presidente da Câmara dos Deputados acredita no "dialogo de conciliação entre todos governadores e a União sobre a questão das dívidas estaduais. "Acho que os governadores vão conversar com o governo federal e vão se entender ", afirmou. "Numa federação é assim: os Estados e a União conversam, se ajustam e cada um vai até onde pode ir."

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