Temer  fez questão de lembrar que o presídio em Manaus é administrado pela iniciativa privada
Temer fez questão de lembrar que o presídio em Manaus é administrado pela iniciativa privada | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



Brasília - Sob pressão da opinião pública, o presidente Michel Temer se pronunciou nesta quinta-feira (5) pela primeira vez sobre o massacre em um presídio no Amazonas após três dias de silêncio absoluto. O silêncio de Temer remete ao massacre do Carandiru, em 1992, também marcado pela espera por explicações da polícia e de declarações oficiais.

Na abertura de reunião sobre segurança institucional, convocada na tentativa de demonstrar a preocupação do governo federal com a crise prisional, o peemedebista disse que o incidente foi "pavoroso" e "terrível" e se solidarizou com as famílias dos presos assassinados. "Eu quero me solidarizar com as famílias que tiveram seus presos vitimados naqueles acidente pavoroso que ocorreu no presídio de Manaus. Nossa solidariedade é governamental", disse.

O peemedebista fez questão de lembrar que o presídio em Manaus é administrado pela iniciativa privada e acrescentou que "não houve uma responsabilidade clara ou definida dos agentes estatais". Ele lembrou que o controle penitenciário cabe às unidades estaduais da federação, mas ressaltou que a questão da segurança pública ultrapassou a questão local e tornou-se uma preocupação nacional.

O silêncio fazia parte de uma estratégia de comunicação do Palácio do Planalto para afastar o presidente do centro da crise prisional, sob o argumento de que se trata de um incidente localizado.

Com a repercussão do episódio, noticiado pela imprensa estrangeira, o peemedebista passou a ser aconselhado a romper o silêncio e fazer pelo menos um comentário genérico sobre o episódio, para afastar a acusação de que ele tem sido omisso.
Na quarta-feira (4), até o papa Francisco havia se pronunciado e lamentado o massacre. Ele pediu que "as condições de vida dos detentos sejam dignas de pessoas humanas".

Com a polêmica em torno da utilização da palavra acidente para se referir ao massacre de presos no Amazonas, o presidente Michel Temer usou as redes sociais para se defender e justificar a escolha do vocábulo. Ele enumerou em sua conta pessoal sinônimos de "acidente", entre eles "tragédia, perda, desastre, desgraça e fatalidade".

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