São Paulo, 23 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse hoje que o governo precisa "tirar a casca de planaltização que o envolve" e parar de jogar a culpa pela falta de ajuste fiscal no Congresso. Para ele, as decisões sobre os destinos do País estão muito "aprisionadas" em Brasília e o presidente Fernando Henrique Cardoso tem ficado distante do Brasil real.
Nome de peso de um partido aliado, Temer defendeu novo reforço na articulação política para que o Executivo crie "maior sintonia" com a sociedade. "O governo precisa ter informações nos Estados para sentir o Brasil real, se não fica planaltizado", disse o deputado. "Sempre falei para o presidente que ele precisava ter alguém para levar a bola no peito", completou Temer, que considera insuficiente o quinteto tucano responsável pela articulação política.
Ele observou que o Congresso aprovou todas as reformas pedidas pelo Executivo. "Mas, se não houver articuladores nas ruas e a política econômica não for redirecionada, as dificuldades vão continuar", previu.
Temer lembrou que, para a conclusão do ajuste, só falta a aprovação da reforma tributária, da Lei de Responsabilidade Fiscal e das três leis complementares da Previdência. Pelos seus cálculos, todos esses projetos devem ser votados até o fim do ano na Câmara. "Depois disso, o governo vai alegar o quê?", perguntou. "Não pode ficar mais três anos só reagindo aos fatos."
Na avaliação do deputado, o Congresso fez uma "mudança de 180 graus" na estrutura econômica e na administração pública do País. "Está certo que na Previdência a alteração foi de 90 graus, mas foi a reforma possível", alegou. Para o presidente da Câmara, é o governo que precisa agir agora.
Mas ele fez questão de ressaltar que não endossa o coro dos defensores da saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan. "As mudanças podem ser feitas com Malan", sustentou.
Certo de que há vários empecilhos na burocracia dos governos federal, estaduais e municipais para que a reforma tributária caminhe mais rapidamente, Temer tem pedido a empresários e representantes de entidades de classe que façam pressão. "Governadores e prefeitos receiam perder arrecadação de impostos, mas é importante que tenhamos apoio, porque senão fica difícil", argumentou.
Hoje à tarde, Temer reuniu-se com a executiva do PMDB, em São Paulo, e deu mais um passo para a trégua com o ex-governador peemedebista Orestes Quércia. O presidente da Câmara não descarta a possibilidade de candidatar-se à Prefeitura, mas afirma que, no momento, essa questão não faz parte de seus planos. Por enquanto, o sonho de Temer é concorrer ao governo do Estado, em 2002.

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