Temer diz que achará forma para evitar posse de suplente de Pascoal
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 21 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou hoje que vai procurar "alguma forma regimental" para que o suplente do deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) não assuma, caso o titular venha a ser cassado amanhã (22). "O plenário será consultado para que não seja realizada a posse do suplente", disse. O suplente é o vereador em Rio Branco José Alecsandro, que sofre processos na Justiça acreana por desvio de verbas, além de ter sido acusado em reuniões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico de participação em tráfico de drogas.
Amanhã, o plenário da Câmara decide se cassa ou não o mandato de Pascoal por quebra do decoro parlamentar, considerado em parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A quebra do decoro foi caracterizada, segundo o parecer do deputado Inaldo Leitão (PMDB-PB), porque Pascoal assumiu que emitia bilhetes de salvo-conduto para assassinos e traficantes no Acre, além de ter afirmado que "qualquer parlamentar" faria o mesmo.
Na CCJ, votaram a favor da cassação de Pascoal 32 deputados, enquanto 5 foram contra e 4 se abstiveram. Normalmente, o plenário apenas confirma a decisão da CCJ. Serão necessários pelo menos 257 votos para cassar o mandato de Pascoal, que foi o deputado federal mais votado do Acre, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 158 mil votos.
Pascoal deverá ser o 16º parlamentar a ter o mandato cassado pelo plenário. Será ainda o segundo deputado a ter o mandato cassado neste ano, uma vez que o ex-deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL) perdeu o mandato no plenário da Câmara em 8 de abril. Na saída do plenário, a Polícia Federal (PF) esperava por Albuquerque, que foi levado para Maceió, atendendo a pedido de prisão preventiva.
Albuquerque está preso em Maceió até hoje. Ao perder a imunidade, Albuquerque pôde ser julgado pela Justiça comum alagoana, quando foi considerado o mandante do assassinato da ex-deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), morta em dezembro. O ex-deputado federal do PTN de Alagoas assumiu o mandato no lugar de Ceci, como primeiro suplente.


