Lisboa, 17 (AE) - O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), desembarcou em Lisboa às 8h40 da manhã (4h40 em Brasília) de hoje (17). Ao ser abordado pelos jornalistas ainda no aeroporto, Temer se pronunciou sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que impediu a CPI dos Bancos de quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico e ainda desbloqueou os bens do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. Para ele, "o Supremo sempre decide adequadamente. Não vou me pronunciar sobre a questão jurídica. É natural que as CPIs, ao longo do tempo, vão ficando esvaziadas. É para isso que elas têm um prazo. O Judiciário achou que as CPIs não têm o mesmo poder jurídico de investigação." Sobre o adiamento do calendário de votação da reforma do Judiciário, Temer afirmou que deu-se um significado político inadequado a esta discussão entre ele e o senador Antônio Carlos Magalhães. "É melhor que a comissão continue trabalhando. A reforma vai prosseguir. Em face das divergências com Antonio Carlos Magalhães, a discussão da reforma ganhou uma coloração política que não convém a uma reforma que deve ser examinada apenas e exclusivamente em caráter técnico. Por isso que o adiamento é útil." Questionado se o conflito com o presidente do Senado prejudicaria a reforma, disse: "Eu não provoquei a discussão. Eu lamento. Poderíamos ter votado a reforma ainda este mês." Para justificar o adiamento, Temer acrescentou que recebeu pedidos de mais discussão sobre o tema por parte de setores do Judiciário. "A pressão pode ser inimiga da perfeição", explicou. A respeito da ligação de Antonio Carlos Magalhães com o banqueiro ¶ngelo Calmon de Sá, ex-dono do Banco Econômico, Temer disse que "foram fatos conhecidos, reconhecidos e divulgados pela imprensa. Eu não fiz acusações. Fiz relembranças". O presidente da Câmara não acredita que a discussão com ACM prossiga, porque, se continuar, "é muito ruim para o País". A natureza das relações com o senador, segundo Temer, nunca foram pessoais, mas sempre institucionais. "Nunca fui íntimo dele". E como fica a imagem do Brasil no exterior com estes fatos? "Este episódio não engrandece as nossas instituições. Apenas desmerece", afirmou. Temer concluiu a entrevista afirmando que "quem quiser que investigue" seus supostos interesses no Porto de Santos, conforme denúncia de ACM.

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