Brasília, 02 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), reúne no dia 14, num almoço, os líderes dos partidos, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, o presidente e o relator da Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara, Germano Rigotto (PMDB-RS) e Mussa Demes (PFL-PI), respectivamente. A intenção, segundo o presidente da Câmara, é a de expressar o empenho do governo na aprovação da proposta de reforma tributária, em tramitação no Congresso desde o início do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1995.
A reunião faz parte de uma estratégia que o governo iniciou para tentar convencer os parlamentares de que a reforma tributária é mesmo uma prioridade, apesar de ter enviado ao Congresso proposta isolada tratando da prorrogação da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).
Durante uma conversa, hoje, Temer concordou com Rigotto de que o envio ao Congresso de propostas isoladas relacionadas a tributos foi positivo porque estimulou o governo a adotar uma posição mais contundente em relação ao assunto. Mas Rigoto classificou de "desconsideração" o envio dos projetos de prorrogação da contribuição e da alíquota de 27,5% do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF). Rigotto contou que Demes conversou com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e que este mostrou a disposição do governo de participar da elaboração de um proposta com condições de aprovação em plenário. Hoje, Malan incluiu a reforma do sistema tributário entre as prioridades durante uma palestra, pela manhã. O líder do PSDB na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), também articula uma reunião na próxima semana, com representantes da comissão e da equipe econômica.
Na próxima semana, não deverá ocorrer votação importante na Câmara. Hoje, o presidente da Câmara disse que pretendia destravar a pauta de votações, mas não contava com o sucesso. "Se a pauta continuar trancada, eu não vou convocar os deputados", avisou, hoje cedo.
A pauta só será destravada quando votado o projeto que trata da organização de defensorias públicas. Mas o próprio governo trabalhou para que os parlamentares da base adiassem a votação. Assim, ganha tempo para negociar apoio contra outra medida, que interessa aos deputados da bancada ruralista.

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