Temer admite cassação de Hildebrando
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 11 (AE) - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), acredita que há elementos suficientes para a abertura do processo de cassação do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC)
acusado de comandar o tráfico de drogas e o esquadrão da morte. Segundo Temer, "tudo indica" que as provas são suficientes para cassar o deputado. A Mesa da Câmara pode apreciar ainda hoje parecer do corregedor-Geral, Severino Cavalcanti (PPB-PE), que decidiu pela cassação de Pascoal.
"Vamos fazer o possível para fazer justiça", disse Michel Temer, logo depois de sair de uma reunião da Mesa, pela manhã, que foi suspensa para votações no plenário. A reunião continuará no início da noite. Severino Cavalcanti antecipou seu voto, dizendo que Hildebrando Pascoal seria cassado por ter afirmado que deu bilhetes com salvo-conduto para traficantes e contrabandistas no Acre.
Cavalcanti afirmou que Pascoal fez afirmações "gravíssimas" ao dizer que todos os parlamentares são iguais a ele e sugerir que se utilizariam de artifícios ilegais para se eleger. "Nunca vi nenhum parlamentar dar bilhetes para proteger traficantes", disse Cavalcanti.
Mais grave ainda, disse o corregedor-geral, é que Pascoal afirmou no mesmo depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que "faria tudo de novo".
O próprio Temer, que votou contra a cassação de Hildebrando em uma reunião da Mesa, em fevereiro, pediu a Cavalcanti "urgência" na apresentação do novo parecer. Como o regimento interno da Câmara sugere a cassação somente por falta de decoro depois do mandato, a saída que Cavalcanti encontrou foi a de pedir a cassação com base nas próprias declarações de Pascoal.
Cavalcanti disse que a perda do mandato de Pascoal será nos mesmos moldes da cassação de Sérgio Naya (PPB-MG), que não perdeu o mandato em decorrência do desmoronamento do edifíco Palace II, que matou oito pessoas, mas pela revelação que utilizava material de segunda categoria e que falsificava a assinatura do governador de Minas.
O corregedor-geral ficou irritado na noite de terça-feira, por não encontrar provas documentais sobre Pascoal, que é acusado de matar testemunhas que prestaram depoimento contra ele. Cavalcanti anunciou que apresentaria o mesmo relatório de fevereiro, recusado por partidos de oposição. "A mesa que engula", disse o deputado. Mas hoje o próprio Temer se encarregou de discutir o parecer de Cavalcanti, antes que fosse apresentado. O corregedor-geral admitiu que foram discutidos alguns "pontos" de seu parecer.
Os parlamentares da CPI do Narcotráfico foram hoje à primeira reunião da Mesa entregar as cópias de todos os depoimentos de testemunhas que confirmam a ligação de Pascoal com o tráfico e o esquadrão da morte. O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE) disse que os parlamentares da CPI irão ao Acre este mês, acompanhar as investigações da Polícia Federal.
O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PPB-ES), mostrou-se indignado com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que possui farta documentação sobre os crimes de Pascoal. "A Nação não entende tanta denúncia sem resposta", disse Magno Malta. "Vamos ouvi-lo na CPI para saber por que ele nunca se manifestou."
Pascoal disse hoje que tem sido vítima de uma "armação". O deputado vai depor amanhã (12) na CPI do Narcotráfico. Pascoal prometeu levar testemunhas que provariam sua inocência.


