Johanesburgo - A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável debateu ontem questões energéticas e de sistemas de saneamento.
Cerca de 1,6 milhões de pessoas, um quarto parte da população mundial, não têm acesso à eletricidade, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) no terceiro dia da Cúpula, também chamada de Rio+10.
''Apesar de a cada ano 75 milhões de pessoas se conectarem às redes de eletricidade no mundo todo, o crescimento demográfico dos próximos 30 anos fará com que o número de pessoas sem acesso a energia elétrica caia apenas em 200 milhões'', disse o diretor da AIE, Robert Pridle.
A AIE é a divisão de energia da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo um documento da AIE sobre ''Energia e Pobreza'', em torno de 2,4 bilhões de pessoas usam biomassas tradicionais lenha, resíduos agrícolas e estrume animal seco para cozinhar e outros usos domésticos e que em 2030 o número terá aumentado para 2,6 bilhões.
A sessão foi precedida de intensas discussões entre as delegações de países e diferentes organizações não-governamentais sobre a meta de que até 2010 dez por cento da energia consumida no mundo sejam de fontes renováveis.
Enquanto a AIE diz que isso é impossível, as ONG ambientalistas, que defendem também o uso mundial da chamada ''energia limpa'', afirmam que ''tudo é uma questão de vontade política'' para adotar as resoluções que possibilitarão sua concretização.
''Não queremos deixar Johanesburgo sem ter conseguido a aprovação da proposta do Brasil (apoiada pelos demais países da América do Sul) de chegar a 10 por cento de novas energias renováveis nesta década'', disse Emiliano Escurra, representante argentino do Greenpeace.
Escorra criticou duramente os Estados Unidos, o Canadá, o Japão e a Nova Zelândia, os quais, afirmou, ''nem sequer querem que se incluam metas tão modestas como essas'' na declaração final da cúpula.
Por sua vez, o Fórum Brasileiro de Organizações Não-Governamentais, que apresentou ontem em Johanesburgo um projeto de desenvolvimento sustentável para Brasil, menciona, entre as novas fontes renováveis as energias eólica, solar, geotérmica, elétrica a partir da combustão de biomassas derivada de colheitas agrícolas e a gaseificação de resíduos orgânicos.

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