Buenos Aires, 17 (AE-REUTERS) - As disputas internas no Partido Justicialista (peronista, no poder) por causa da ambição do presidente Carlos Menem por um terceiro mandato paralisaram as atividades no Congresso.
Segundo a agenda oficial, o Congresso devia ter começado suas sessões regulares na primeira semana de março. Todavia, isso foi impossível por causa dos conflitos entre os deputados peronistas que apóiam a reeleição de Menem e os que condenam.
Também não houve atividade durante o período das sessões extraordinárias, que se estendeu de dezembro a fevereiro.
Um porta-voz do vice-presidente da Câmara, Marcelo López Arias, disse que "está tudo parado e os conflitos internos não têm dia para terminar".
Os adversários de Menem nesta contenda obedecem a orientação do governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde. O governador é o principal pré-candidato às primárias peronistas, marcadas para o dia 9 de maio.
Dos 257 deputados que integram a Câmara, 118 são peronistas. Destes, 50 estão com Duhalde. No Senado, onde o oficialismo é maioria, a divisão é da mesma proporção.
Embora a Constituição não permita, Menem quer ocupar a Casa Rosada pela terceira vez e até já aceita um plebiscito para isso. A consulta popular foi proposta no sábado pela agrupação Aliança (UCR- Frepaso). A Aliança quer, contudo, que o plebiscito seja feito somente nas províncias que ela controla. Menem quer estender a consulta para o país inteiro.
Até agora, a única vez que os deputados sentaram para trabalhar foi justamente para discutir as tentativas de Menem. Nesta ocasião, a Câmara ficou lotada de representantes da Aliança e os duhaldistas. Os deputados que apóiam Menem acharam melhor não comparecer.
Carlos Becerra, da Aliança, disse que vários assuntos importantes estão pendentes. E acrescentou: "Espero que isso se resolva logo porque o Congresso não pode ficar parado".

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