Tem que ter força de vontade
Londrina - No Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), destinado a acolher condenados do regime semiaberto, o foco é proporcionar o maior número possível de oportunidades de trabalho e estudos para os cerca de 200 presos que vivem no local. Conforme o diretor Reginaldo Peixoto, atualmente há 90 presos trabalhando, com perspectiva de chegar a 110 no final do mês e a 170 pessoas em setembro. A projeção, segundo ele, é baseada em convênios com perspectiva de assinatura. Além disso, há uma média de cem detentos estudando, 90 praticando remissão pela leitura e 77 se preparando para o Enseja, um exame que permite obtenção de diploma de conclusão do segundo ciclo do Ensino Fundamental. Na unidade, que funciona no prédio que abrigava o 2º Distrito Policial de Londrina, na zona leste, além de um telecentro que oferece iniciação à informática por ensino a distância, há cursos presenciais para azulejistas e instaladores elétricos, ofertados pelo Senai.
Um dos trabalhadores do Creslon é o pintor Carlos Eduardo Dobre, de 28 anos, que só deve sair da prisão em abril de 2016. De Ponta Porã (MS), ele ameniza a saudade da esposa e dos dois filhos realizando serviços de construção civil em uma obra na própria unidade. Os 75% de salário mínimo que recebe estão depositados em uma conta para, no futuro, servirem de capital para abertura de uma empresa de pintura e manutenção elétrica. "Quero trazer minha família para Londrina e recomeçar a vida", planeja.
Para Dobre, as horas dedicadas ao trabalho são fundamentais para garantir a ressocialização. "Tem que ter muita força de vontade para sair daqui e mudar de vida", diz.
Na mesma obra, Oscar Afonso da Silva, 44, já trabalhou como operador de máquina e, hoje, faz serviço de pedreiro. "O trabalho é bom porque diminui o tempo de cadeia", resume ele, que gosta também de "ocupar a cabeça". "Ficar atrás das grades é difícil, mas sinto que estou ressocializado", acredita. Sem vínculos com a família desde a prisão, ele tem mais 8 meses de pena para cumprir e está ansioso para finalmente retomar a vida "lá fora". "Quero trabalhar de pedreiro. Espero que dê tudo certo", diz. (C.A.)





