‘‘Não basta mais saber. Tem que saber fazer.’’ É essa a definição de conhecimento da relatora das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, Guiomar Namo de Mello. É também esse o tipo de conhecimento que deverá ser avaliado hoje pelo Enem.
Mesmo nas escolas onde já vêm ocorrendo transformações nos currículos e nas formas de ensinar, a expectativa em relação ao exame é grande. ‘‘O que esperamos é que essa prova mostre os novos papéis da escola’’, afirma Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães, diretor do Colégio Santa Cruz, de São Paulo.
Na área educacional convencionou-se denominar de ‘‘tirania do vestibular a influência que esse tipo de avaliação exerce sobre todo o sistema de ensino. A academia (universidade) é muito resistente à mudança na forma do exame porque ela também é dividida em disciplinas’’, dizem especialistas. ‘‘O ensino médio teve um desvio muito grande por causa disso. Ficamos anos ensinando traquejos para se fazer uma prova’’, diz um dirigente do colégio Friburgo em São Paulo.
Outro setor que deve ser afetado pelo Enem é o mercado de livros didáticos - segundo o diretor do Colégio Nossa Senhora das Graças, Eduardo Roberto da Silva. ‘‘O livro didático ainda mantém uma divisão estanque por disciplina.’’
Como vêm ocorrendo nessas escolas, as novas diretrizes curriculares apontam para uma integração das disciplinas. ‘‘O importante é o esforço do aluno em transformar os conteúdos em um significado que não seja meramente teórico’’, afirma Namo de Melo, que, além de membro do Conselho Nacional de Educação, preside a Fundação Victor Civita.
A definição do Enem dada pela presidente do Inep (órgão do MEC responsável por avaliações), Maria Helena Guimarães de Castro, mostra que a tentativa de ‘‘decodificação’’ da prova será necessária. ‘‘Estamos preocupados com a capacidade de raciocínio, de resolver problemas. Não tem nada de decoreba. Mas ao mesmo tempo, se o aluno não tiver domínio dos conteúdos básicos, eles não terão competência’’, afirma Castro.
Segundo Namo de Mello, todas essas mudanças se devem ao fato de que, ‘‘hoje, já não dá mais para haver uma separação entre a educação e o mundo do trabalho’’. (F.R.)

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